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Economia mantém otimismo cauteloso com PIB em 2022 em meio a avanço da ômicron

O Ministro da Economia, Paulo Guedes - Antonio Molina/Folhapress
O Ministro da Economia, Paulo Guedes Imagem: Antonio Molina/Folhapress

19/01/2022 14h04Atualizada em 19/01/2022 15h20

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - Com o galopante avanço da variante Ômicron do coronavírus no Brasil os prognósticos para a economia ganharam contornos mais turvos, embora o Ministério da Economia permaneça cautelosamente otimista na comparação com agentes do mercado, segundo fontes da pasta ouvidas pela Reuters.

Os cálculos internos ainda são de uma alta do Produto Interno Bruto de 2,1% este ano, na contramão das decrescentes estimativas do mercado, cuja mediana aponta hoje para um crescimento de apenas 0,29%, segundo o mais recente boletim Focus, enquanto bancos como Citi, Credit Suisse e Itaú Unibanco já projetam contração da atividade em 2022.

Segundo uma fonte da equipe econômica, que falou em condição de anonimato, o desempenho não considera uma piora da pandemia, ainda tratada com cautela.

Uma segunda fonte do time reconheceu que, à primeira vista, a variante deve afetar o crescimento, mas não há estudos internos sobre em que profundidade isso deve acontecer.

Outra fonte da equipe econômica ouvida pela Reuters ressaltou que o impacto da Ômicron não é visto por ora como fonte de preocupação, num momento em que tampouco foi considerado divisor de águas por agentes de mercado.

Enquanto busca reafirmar sua visão mais otimista para a atividade econômica, o Ministério da Economia não vai se antecipar em relação aos demais, acrescentou a fonte.

Publicamente, a Secretaria de Política Econômica já defendeu que a performance da economia em 2022 deverá ser fortemente ajudada pela absorção de cerca de 5 milhões de brasileiros no mercado de trabalho, a maior parte deles na economia informal, duramente afetada durante a pandemia.

A altamente contagiosa variante Ômicron, no entanto, pode ameaçar esse cenário e o desempenho do setor de serviços, que surpreendeu estimativas com um forte resultado em novembro, ajudado pela vacinação em massa no país.

A Universidade de Washington espera um pico de hospitalizações no Brasil entre o fim de janeiro e início de março, atingindo níveis mais altos do que os vistos em todo o ano de 2021. Segundo o Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde da universidade, o Brasil verá em meados de março um retorno às condições verificadas no fim de dezembro em termos de ocupação hospitalar.