Fed deve manter taxa de juros e sinalizar alguns cortes em 2024

Por Ann Saphir

WASHINGTON (Reuters) - O Federal Reserve deve manter a taxa de juros nesta quarta-feira pela terceira vez consecutiva, mas também sinalizar que uma mudança para um afrouxamento monetário não ocorrerá em breve nem será acentuada, dado o progresso irregular na desaceleração da inflação nos Estados Unidos.

Nas projeções econômicas trimestrais a serem divulgadas ao final de uma reunião de dois dias, as autoridades do banco central dos EUA ainda devem incluir pelo menos dois cortes nos juros até o final do próximo ano, conforme buscam o equilíbrio certo entre uma política monetária que seja restritiva o suficiente para desacelerar os gastos e as contratações, mas não tão rígida a ponto de levá-los a uma queda vertiginosa.

No entanto, o chair do Fed, Jerome Powell, deve enfatizar em uma coletiva de imprensa que qualquer corte nos custos dos empréstimos depende de uma melhora adicional na inflação, que, apesar de um rápido declínio este ano, ainda está acima da meta de 2% do Fed.

O chefe do Fed começará a falar às 16h30 (horário de Brasília), meia hora após a divulgação do comunicado de política monetária e das projeções.

"Powell terá que seguir uma linha tênue, reconhecendo o terreno conquistado em direção à normalização da economia e, ao mesmo tempo, recuando em relação à ideia de cortes precoces nos juros", e até mesmo alertando que o Fed ainda pode aumentar a taxa novamente, se necessário, escreveram analistas da TD Securities no início da reunião do Fed na terça-feira.

E, de fato, a economia se normalizou bastante. A inflação pela medida preferida do Fed, o índice PCE, caiu para 3% na última leitura, de mais de 7% em seu pico no verão de 2022.

Enquanto isso, a taxa de desemprego caiu para 3,7% em novembro, pouco acima do nível em que se encontrava quando o Fed começou a aumentar a taxa de juros do nível quase zero em março de 2022.

Como parte das projeções atualizadas, as autoridades de política monetária do Fed darão suas opiniões sobre a inflação, o desemprego e o PIB nos próximos anos.

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Porém, surgiu na terça-feira um lembrete do motivo pelo qual Powell pode estar relutante em sinalizar o fim da campanha de aumento dos juros, depois que o Departamento do Trabalho informou que os preços ao consumidor dos EUA subiram inesperadamente e a inflação subjacente aumentou em novembro.

Mesmo assim, os mercados financeiros continuam a precificar um ponto percentual inteiro de reduções na taxa de juros no próximo ano, a partir de maio. A taxa básica está atualmente na faixa de 5,25% a 5,50%.

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