Taxas futuras de juros sobem no Brasil após dados fortes de emprego privado nos EUA

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira em alta no Brasil, puxadas pelo avanço firme dos rendimentos dos Treasuries no exterior, com investidores reduzindo as apostas de corte de juros nos EUA já em março após a divulgação de dados fortes do mercado de trabalho norte-americano.

Pela manhã, o Relatório Nacional de Emprego da ADP mostrou que foram abertas 164.000 vagas de emprego no setor privado dos EUA no mês passado, a maior leitura mensal desde agosto. Economistas consultados pela Reuters esperavam criação de 115.000 vagas em dezembro.

O relatório da ADP, desenvolvido em conjunto com o Laboratório de Economia Digital de Stanford, foi publicado antes da divulgação na sexta-feira do 'payroll', o relatório de emprego mais abrangente do Departamento do Trabalho dos EUA.

Já os pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos EUA caíram 18.000 na semana encerrada em 30 de dezembro, para 202.000 em dado com ajuste sazonal. Economistas consultados pela Reuters previam 216.000 pedidos para a última semana do ano. Os dados tendem a ser voláteis nessa época do ano por causa dos feriados.

Tanto o relatório da ADP quanto os dados de auxílio-desemprego sustentaram o movimento de alta dos rendimentos dos Treasuries nesta quinta-feira, com investidores moderando as expectativas de corte de juros pelo Federal Reserve em março.

Na quarta-feira, os yields já haviam avançado durante boa parte do dia. No meio da tarde foi divulgada a ata do último encontro de política monetária do Fed, que não deixou claro quando os juros começarão a cair.

No Brasil, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) acompanharam a alta dos yields nesta quinta-feira e chegaram a subir quase 10 pontos-base durante a sessão, entre os contratos com prazos mais longos.

“A alta coincide com a alta dos juros dos títulos nos EUA com redução da aposta de corte de juros na reunião de março”, resumiu o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior. “Além disso, os últimos dados de inflação vieram um pouco acima do previsto. IPCA e IPCA-15 serão importantes para acompanhar”, acrescentou, em comentário enviado a clientes.

Nesta sexta-feira, as atenções estarão voltadas à divulgação do payroll, que poderá dar um rumo mais firme às taxas tanto nos EUA quanto no Brasil.

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No fim da tarde desta quinta-feira a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,05%, ante 10,039% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 9,685%, ante 9,645% do ajuste anterior. A taxa para janeiro de 2027 estava em 9,81%, ante 9,763%.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2028 estava em 10,04%, ante 9,99%. O contrato para janeiro de 2031 marcava 10,44%, ante 10,366%.

Perto do fechamento a curva a termo precificava 100% de chances de o corte da taxa básica Selic no fim de janeiro ser de 0,50 ponto percentual, como vem sinalizando o BC. Atualmente, a Selic está em 11,75% ao ano.

Às 16:36 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 9,40 pontos-base, a 4,0006

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