Setor de serviços da zona do euro pode desacelerar ainda mais, diz BCE

FRANKFURT (Reuters) - A atividade de serviços da zona do euro pode enfraquecer ainda mais nos próximos trimestres devido ao aumento das taxas de juros, mas o impacto sobre o setor pode ser mais discreto do que sobre a indústria, concluiu um estudo do Banco Central Europeu nesta terça-feira.

O setor manufatureiro do bloco monetário esteve em recessão durante a maior parte de 2023, em parte devido aos rápidos aumentos dos juros pelo BCE, como parte dos esforços do banco central para conter a inflação.

No entanto, a demanda por serviços permaneceu relativamente robusta, impulsionando o crescimento geral.

Entretanto, isso pode mudar, já que a atividade de serviços tende a refletir o setor industrial com uma defasagem de dois trimestres, concluiu o BCE.

"A dinâmica na manufatura contém informações relevantes para a dinâmica de curto prazo dos serviços e, portanto, para o restante da economia", disse o BCE em um artigo do Boletim Econômico. "A manufatura parece liderar os serviços... ao passo que nenhuma relação clara de liderança pode ser estabelecida na outra direção."

O BCE elevou a taxa de juros de um território negativo profundo para um recorde de 4% em pouco mais de um ano, quando um aumento inesperado da inflação repercutiu na economia, elevando os custos de tudo, desde energia e alimentos até serviços.

O setor de capital intensivo respondeu rapidamente, já no terceiro trimestre de 2022, mesmo quando os serviços pareciam resilientes.

Ainda assim, o BCE também observou que o impacto geral da desaceleração nos serviços provavelmente será menor.

"Os choques de política monetária têm um impacto sobre o setor manufatureiro que é quase duas vezes mais forte e cerca de dois trimestres mais rápido do que seu impacto sobre os serviços", acrescentou o banco.

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(Reportagem de Balazs Koranyi)

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