Ibovespa fecha em alta com dados de inflação ao produtor dos EUA

Por Patricia Vilas Boas

SÃO PAULO (Reuters) - A bolsa paulista fechou em alta nesta sexta-feira, após divulgação de inflação ao produtor nos Estados Unidos mais baixa do que a esperada reforçarem apostas de um início em breve do ciclo de redução de juros pelo Federal Reserve.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,26%, a 130.987,67 pontos. Na máxima do dia, chegou a 131.927,11 pontos. Na mínima, a 130.409,66 pontos. O volume financeiro somou 19,4 bilhões de reais.

Na semana, porém, o índice acumulou declínio de 0,78%, depois de recuar 1,61% na primeira semana de 2024.

O Ibovespa permaneceu no azul durante grande parte do pregão nesta sexta, ancorado em parte por alta dos papéis da Petrobras, que subiram na esteira do avanço dos preços do petróleo no exterior.

A inflação ao produtor dos EUA mais baixa do que a esperada também retomou o otimismo do mercado por um início de ciclo de cortes de juros pelo Fed já em março.

"Esse cenário acabou trazendo o juros futuros no Brasil para um movimento de queda, e isso aliviou nosso mercado", afirmou a analista da Nova Futura Investimentos, Bruna Sene.

Apesar da abertura positiva em Wall Street na sequência dos dados, balanços trimestrais desfavoráveis de gigantes do setor bancário norte-americano, como Citi e JPMorgan, pressionaram os índices acionários dos EUA, que encerrarem o pregão com pouca alteração. O S&P teve variação positiva de 0,08%.

Na bolsa paulista, o head da EQI Research, Luís Moran, ressaltou ainda como suporte uma valorização de ações de empresas de varejo de alimentos, com destaque para GPA, que disparou 11,2% na sessão.

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"Esses papéis andaram 'apanhando' bastante recentemente, porque se não há inflação em alimentos, o crescimento de receita deles fica limitado", disse Moran. "O dado de ontem do IPCA mostrou uma inflação de alimentos um pouco maior, acabou puxando todo o setor."

As taxas dos DIs no Brasil também fecharam em queda, em sintonia com o recuo dos rendimentos dos Treasuries no exterior, o que tende a favorecer ações de varejo.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN teve acréscimo de 0,26%, a 38,17 reais, e PETROBRAS ON valorizou-se 0,53%, a 39,64 reais, com a sessão positiva para os preços do petróleo, em meio a uma escalada do conflito na região do Mar Vermelho, com navios petroleiros evitando a rota de transporte marítimo. O barril de Brent fechou em alta de 1,1%. No setor, 3R PETROLEUM ON avançou 0,45%, a 28,71 reais e PETRORECONCAVO ON subiu 3,45%, a 21,00 reais.

- VALE ON caiu 1,27%, a 71,69 reais, na esteira da queda dos preços do minério de ferro, que, apesar de mostrarem recuperação na véspera devido a esperanças de estímulos, voltaram a cair com dados econômicos persistentemente fracos da China. O contrato mais negociado na Dalian Commodity Exchange, da China, encerrou as negociações diurnas em queda de 1,76%, a 948,5 iuanes (132,36 dólares) a tonelada. Em mineração e siderurgia, CSN ON subiu 0,17%, a 17,90 reais e USIMINAS PNA caiu 0,59%, a 8,47 reais.

- GPA ON disparou 11,17%, a 4,08 reais. O grupo convocou nova assembleia geral extraordinária para decidir sobre aumento do limite de capital visando uma potencial oferta de ações, após não conseguir quórum suficiente para se deliberar sobre a proposta, conforme edital divulgado nesta sexta-feira. Ainda no setor de varejo de alimentos, CARREFOUR ON avançou 4,97%, a 12,25 reais. De pano de fundo, analistas do Itaú BBA melhoraram recomendação da ação para "outperform" e estabeleceram novo preço-alvo de 16 reais por papel até o final de 2024. ASSAÍ ON avançou 2,74%, a 14,25 reais.

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- ITAÚ UNIBANCO PN fechou em alta de 0,12%, a 33,39 reais, enquanto BRADESCO PN caiu 0,82%, a 15,81 reais. Ainda no setor, BANCO DO BRASIL ON teve acréscimo de 0,58%, a 55,12 reais e BTG PACTUAL UNIT valorizou-se 2,27%, a 38,34 reais.

- LOJAS RENNER ON valorizou-se 3,10%, a 16,96 reais, e MAGAZINE LUIZA ON fechou em alta de 3,67%, a 2,26 reais, em sessão positiva para papéis de varejo, em meio a queda nos contratos futuros de juros no Brasil.

- HAPVIDA ON avançou 4,62%, a 4,53 reais. Analistas do Itaú BBA reiteraram recomendação "outperform" para as ações da operadora de planos de saúde. A equipe de research avaliou os indicadores de preço sobre lucro da empresa para 2024 e 2025 como atrativos, destacando fortes expectativas de crescimento dos lucros nos próximos anos, além do sólido posicionamento da empresa no setor.

- CYRELA ON recuou 0,35%, a 22,86 reais, e MRV ON caiu 6,79%, a 7,82 reais, após divulgação das prévias operacionais das construtoras na quinta-feira, referentes ao quarto trimestre de 2023.

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