Número de mortos por enchentes no RJ sobe para 12 e duas pessoas seguem desaparecidas

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O número de mortes provocadas pelo temporal que atingiu o Estado do Rio de Janeiro no fim de semana subiu para 12, e duas pessoas permanecem desaparecidas, disseram autoridades nesta segunda-feira, depois que ruas se transformaram em verdadeiros rios em diversas cidades da região metropolitana da capital fluminense.

A 12ª vítima confirmada da tragédia foi uma mulher de 39 anos que foi levada pela enxurrada e morreu afogada em Duque de Caixas, na Baixada Fluminense, a região mais afetada pela forte chuva.

Ainda estão sendo procurados por equipes do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil uma mulher que estava dentro de um carro que caiu em um rio também na Baixada e um homem que desapareceu durante o temporal na capital.

Os bombeiros estimam que entre 500 e 600 pessoas estão desabrigadas ou desalojadas no Estado. Segundo o governo do Rio, ainda serão necessários mais alguns dias para a situação voltar ao normal.

Há, no entanto, previsão de novas chuvas fortes no Estado a partir de quarta-feira.

“Temos 2.400 homens mobilizados, drones, equipamentos e maquinários à disposição. Estamos preparados, não posso afirmar o quanto vai chover. Será uma chuva forte que vem aí. Acreditamos que até lá as cidades afetadas estejam numa situação melhor“, disse o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Leandro Monteiro, em entrevista coletiva.

No último fim de semana, choveu em poucas horas quase 300 milímetros, o volume total esperado para todo mês de janeiro.

Segundo as autoridades, ainda há muitos pontos de alagamento em cidades da Baixada Fluminense, e muitas delas decretaram estado de emergência.

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O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, anunciou que entrou em contato com as cidades afetadas e que o governo federal pode antecipar o pagamento do programa Bolsa Família para os beneficiários que foram afetados pelo temporal.

O governador Cláudio Castro disse que vai conversar nesta segunda-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para pedir ajuda para investimentos em obras de prevenção contra as chuvas.

“Infelizmente esse é o novo normal. As cidades têm que trabalhar cada vez mais na prevenção em tempos de mudança climática“, disse o governador a jornalistas.

Castro saiu de férias na semana passada e estava nos Estados Unidos quando a tragédia aconteceu. Ele voltou ao Rio de Janeiro às pressas para coordenar as ações de enfrentamento aos estragos provocados pela chuva.

O governador minimizou as críticas que recebeu nas redes sociais por estar viajando em um período tradicionalmente de chuvas fortes no Estado.

“Estar fora para mim é problema zero. Quando precisou estar aqui eu estive. Não governo pelas redes sociais, precisou voltar eu voltei“, afirmou.

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Segundo ele, desde o início de sua gestão o governo estadual vem aumentando investimentos em obras de prevenção, como dragagem, drenagem, contenção de encostas e outros, mas isso não tem sido suficiente para evitar que as tragédias se repitam ano após ano.

“Nenhuma transição é automática, o trabalho é assim. Você aumenta, faz e vai fazendo, e se os outros governantes tivessem investido o que era necessário, vidas poderiam ser salvas e não seriam ceifadas. Vou fazer mais investimentos para salvar vidas“, disse Castro.

“É hora de união, não tem chuva do governo, prefeito ou presidente, tem que trabalhar na infra para continuar no trabalho preventivo. Estamos no caminho certo para que esses efeitos da chuva se minimizem. Não dá pra perder 12 vidas e achar que está tudo bem“, acrescentou.

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