Ibovespa mostra fraqueza com dúvidas sobre juros e dados da China

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa mostrava fraqueza nesta quarta-feira, acompanhando o movimento de praças acionárias no exterior diante de dúvidas sobre o começo de cortes de juros nos Estados Unidos e na zona do euro, enquanto dados da China mostraram uma recuperação econômica irregular do país asiático.

Às 10:53, o Ibovespa caía 0,25%, a 128.965,14 pontos, com o declínio de commodities como o petróleo e o minério de ferro também minando o pregão brasileiro. Na mínima, chegou a 128.743,27 pontos, menor patamar intradia em pouco mais de um mês.

O volume financeiro somava 3,2 bilhões de reais.

De acordo com a equipe da Ágora Investimentos, a quarta-feira começa ainda em meio a um sentimento de maior aversão ao risco no exterior.

"Além de ainda ecoarem o discurso do diretor do Fed, Christopher Waller, sinalizando que a autoridade monetária fará três cortes de 0,25 pp na taxa básica até dezembro, bem menos do que o mercado precifica atualmente, os investidores se decepcionaram com novos dados vindos da China", afirmou.

Na visão da equipe da corretora, esses números poderiam servir com um anteparo para um cenário de desaceleração global.

Na China, o PIB cresceu 5,2% no trimestre entre outubro e dezembro em relação ao ano anterior, acelerando em relação aos 4,9% do terceiro trimestre, mas um pouco abaixo da previsão de 5,3% em uma pesquisa da Reuters. Na base trimestral, cresceu 1,0%, após alta revisada de 1,5% no trimestre anterior.

Alguns indicadores de dezembro foram mais sombrios, sugerindo que a prolongada crise imobiliária do país está se aprofundando, bem como que o crescimento das vendas no varejo desacelerou e o investimento permaneceu morno. Apenas a produção industrial mostrou alguns sinais de melhora.

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Em Wall Street, os futuros acionários sustentavam uma trajetória negativa, mesmo movimento registrado em pregões na Europa e no fechamento das principais bolsas na Ásia.

No Brasil, a equipe da Ágora também chamou a atenção para as discussões em torno da reoneração da folha de pagamentos, que eles avaliam que devem limitar o apetite dos investidores no mercado brasileiro.

DESTAQUES

- VALE ON caía 1,40%, a 69,63 reais, em meio ao declínio dos futuros do minério de ferro na Ásia, com o contrato de referência em Cingapura caindo 2,6%. Na Dalian Commodity Exchange, na China, o vencimento mais negociado encerrou as negociações do dia com baixa de 0,75%.

- PETROBRAS PN recuava 0,24%, a 38,01 reais, diante da queda dos preços do petróleo no exterior, onde o barril de Brent cedia 1,84%. No setor, PRIO ON perdia 2,05%, 3R PETROLEUM ON caía 1,76% e PETRORECONCAVO ON declinava 0,1%.

- ITAÚ UNIBANCO PN ganhava 0,12%, a 33,02 reais, enquanto BRADESCO PN subia 0,32%, a 15,78 reais, oferecendo algum contrapeso positivo.

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- LWSA ON valorizava-se 4,30%, a 6,30 reais, recuperando-se após duas quedas seguidas, período em que acumulou declínio de mais de 3%. Apenas na véspera, os papéis fecharam em baixa de 2,58%.

- CVC BRASIL ON cedia 2,13%, a 3,22 reais, ampliando o ajuste negativo no mês para uma queda de mais de 8%. No setor de viagens, GOL PN avançava 0,25% após perdas fortes recentes, tendo divulgado na véspera que está discutindo com stakeholders financeiros uma reestruturação "consensual".

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