Executivos saem de Davos para jogar com cenários geopolíticos de 2024

Por Megan Davies e Divya Chowdhury

DAVOS, SUÍÇA (Reuters) - Líderes empresariais que participam do Fórum Econômico Mundial em Davosm na Suíça, afirmam que estão recorrendo cada vez mais ao planejamento de cenários para protegerem as cadeias de fornecimento de suas companhia na tentativa de diminuir possíveis impactos de crises geopolíticas inesperadas.

Muitos presidente-executivos disseram à Reuters que olham com otimismo para a economia norte-americana este ano, estão preocupados com China e Europa, e com o impacto de choques globais inesperados sobre a inflação.

O fórum deste ano foi realizado em um cenário de conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, bem como de eleições iminentes em dezenas de países.

"Justamente quando governos e empresas se preparam para lidar com um problema surge outro", disse David Garfield, Diretor Global de Indústrias, acrescentando que um grande problema no nível do conselho de administração e da liderança executiva é o planejamento de cenários.

"Empresas sofisticadas estão dizendo: 'O que acontecerá se as matérias-primas para a produção forem cortadas?", acrescentou Garfield.

Com as interrupções na cadeia de suprimentos causadas pela pandemia ainda no retrovisor, os presidentes de empresas agora estão lidando com o impacto dos ataques dos militantes Houthi no Mar Vermelho. Muitos descreveram a situação global como excepcionalmente preocupante.

"Em termos de planejamento de cenários, os últimos anos aumentaram as expectativas", disse Ishaan Seth, sócio sênior do grupo de consultoria global McKinsey. "Não se trata de prever o futuro, mas de ter uma perspectiva de como o mundo pode se desenrolar. A chave é: como você pode dinamizar uma organização rapidamente?"

Uma pesquisa da Alix Partners mostrou que 68% dos presidente-executivos consultados relatam que as tensões entre os EUA e a China estão fazendo com que eles ajustem sua estratégia, enquanto 66% se preocupam com a eleição presidencial dos EUA.

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"As preocupações (em nível de diretoria) são a geopolítica e as eleições em todo o mundo", disse o presidente global do BCG, Rich Lesser. Quando há tanta incerteza, os presidentes e diretorias perguntam: "O que posso fazer para estar mais bem preparado?", acrescentou.

Alguns estão procurando diversificar fornecedores.

"Todas as empresas japonesas estão considerando seriamente (mudar) as origens da dependência excessiva - é muito arriscado", disse Takeshi Niinami, presidente-executivo da Suntory, o segundo maior grupo japonês de bebidas domésticas, ao Reuters Global Markets Forum.

"Portanto, gostaríamos de mudar para, por exemplo, a Índia ou alguns outros países como o Vietnã, mas isso não pode ser feito da noite para o dia."

O presidente da ABB, Peter Voser, disse que os riscos geopolíticos, incluindo a China e Taiwan, fazem parte do planejamento de cenários da diretoria.

"Tomamos medidas para lidar com isso no dia a dia, mas também como um Plano B ou C, dependendo do que vai acontecer", disse Voser, acrescentando: "Não deve haver nenhum conselho de administração no mundo que não leve isso muito a sério."

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INFLAÇÃO

Alguns banqueiros e presidentes de empresas mostraram preocupação com a possibilidade dos deslocamentos de cadeias de suprimentos reacenderem a inflação. A maioria afirmou estar otimista com relação aos EUA, mas preocupada com a Europa e a China.

"Serei cautelosamente otimista", disse Srini Pallia, executivo da empresa de consultoria e serviços de tecnologia Wipro, acrescentando: "As pessoas esperavam que os EUA estivessem em recessão, mas agora é um pouso suave."

"Os clientes estão cautelosamente otimistas. Estamos voltando a um ambiente mais normal. O crescimento está mais lento, mas é sustentável", disse o diretor financeiro do Bank of America, Alastair Borthwick.

Em outubro, o Fundo Monetário Internacional previu que o crescimento do PIB global em 2024 seria de 2,9%, uma queda em relação aos 3% registrados em 2023. O FMI reduziu sua previsão de crescimento para 2024 para a China, que foi atingida por uma crise imobiliária, para 4,2% e para a zona do euro para 1,2%, mas aumentou a expectativa para os EUA para 1,5%.

O presidente-executivo do Goldman Sachs, David Solomon, espera que os EUA evitem uma grande desaceleração este ano, mas alertou que a inflação pode continuar mais teimosa do que o esperado e pesar sobre o crescimento.

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"Ainda acho que há um risco, particularmente em relação à mão de obra, alimentos e gás, de que a inflação possa ser mais rígida do que as pessoas esperam", disse Solomon à Reuters.

Muitos duvidam que o Federal Reserve reduzirá juros tão rapidamente quanto os mercados preveem. O Fed está avaliando se a inflação está voltando com firmeza suficiente para sua meta de 2% para fazer cortes.

Alguns setores enfrentam desafios. Os aumentos agressivos de juros, combinados com a redução da demanda por espaços para escritórios após a pandemia, atingiram especialmente os imóveis comerciais.

"Converso com pessoas que dizem que este é o pior momento de todos os tempos", disse Christian Ulbrich, presidente-executivo da JLL. "E minha próxima reunião pode ser com alguém que diga que este é o melhor momento de todos os tempos - veremos alguns de nossos melhores negócios nos próximos 12 a 24 meses."

((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447753))

REUTERS AAJ

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