Ibovespa fecha em alta apoiado em blue chips e assegura 1º ganho semanal do ano

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira, ultrapassando os 129 mil pontos no melhor momento, em desempenho apoiado particularmente na performance positiva das blue chips Vale, Petrobras e Itaú Unibanco, o que assegurou o primeiro ganho semanal no ano.

A agenda do dia destacou números sobre inflação nos Estados Unidos e no Brasil, que, no final das contas, não mudaram as perspectivas para as reuniões de política monetária dos bancos centrais de ambos os países na próxima semana.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,62 %, a 128.967,32 pontos., acumulando uma alta de 1,04% na semana. Na máxima do dia, chegou a 129.252,15 pontos. Na mínima, a 127.868,8 pontos. O volume financeiro somou 17,9 bilhões de reais.

No Brasil, o IBGE reportou antes da abertura do pregão uma alta de 0,31% para o IPCA-15 em janeiro, desacelerando frente a dezembro e ficando abaixo da previsão no mercado. Em 12 meses, acumulou avanço de 4,47%, também abaixo das estimativas.

Ainda assim, economistas avaliaram que, em razão de uma composição negativa, com destaque para o desempenho de alimentos e serviços, o IPCA-15 não muda a perspectiva em relação aos próximos passos do Banco Central, que deve manter o ritmo de cortes da taxa básica de juros nas próximas reuniões.

"O resultado de hoje deve trazer revisões baixistas em alguns itens fora do núcleo, possivelmente afetando a mediana no Focus para 2024. No entanto, não vemos uma melhora qualitativa do dado, especialmente por conta de serviços subjacentes", destacaram economistas do Bradesco em nota a clientes.

Para a decisão da próxima semana, que será conhecida na quarta-feira, após o fechamento do mercado, a expectativa consensual em pesquisa da Reuters é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzirá a Selic a 11,25%.

A inflação também ocupou os holofotes nos EUA, onde o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) subiu 0,2% no mês passado, após queda não revisada de 0,1% em novembro, segundo o Departamento de Comércio. Em 12 meses, o índice avançou 2,6%, também conforme as projeções.

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Uma vez que os números ficaram dentro das expectativas, os contratos futuros de juros nos EUA continuaram apontando uma maior chance, de cerca de 90%, de um primeiro corte nos juros em maio. Para março, a probabilidade era um pouco menor do que 50%.

A decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve será conhecida também na quarta-feira, mas com os mercados nos EUA e no Brasil ainda abertos. O foco estará nos sinais sobre os próximos movimentos.

Em Wall Street, o S&P fechou quase estável, enquanto o Dow Jones apurou um acréscimo discreto e o Nasdaq encerrou em baixa, conforme agentes financeiros também analisaram notícias corporativas, entre elas previsões da Intel e da Visa.

No mercado de dívida, os títulos de 10 anos do Tesouro norte-americano marcavam 4,1412% no final da tarde, de 4,132% na véspera.

DESTAQUES

- VALE ON subiu 1,67%, a 69,50 reais, acumulando um ganho de 2% na semana e dando uma trégua na pressão vendedora que tem marcado o primeiro mês do ano e que fez a companhia perder mais de 40 bilhões de reais em valor de mercado até a véspera. Em meio a ruídos recentes sobre os planos do governo de emplacar Guido Mantega na mineradora, repercutiu positivamente reportagem da Folha de S.Paulo de que o ex-ministro abriu mão de ir para a companhia. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, também negou nesta sexta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria tratado sobre sucessão na Vale. Até a véspera, as ações da mineradora acumulavam uma queda de 11,45% no ano.

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- PETROBRAS PN fechou em alta de 1,73%, a 39,96 reais, renovando máximas históricas, endossadas pela melhora dos preços do petróleo no exterior, onde o barril do Brent, usado como referência pela companhia, subiu 1,36%, a 83,55 dólares -- máxima desde o final de novembro do ano passado. Analistas do BTG Pactual reiteraram a recomendação de "compra" para as ações em relatório nesta semana, no qual afirmaram que ainda veem um cenário que apoia dividendos de 3,6 bilhões de dólares no quarto trimestre de 2023 e de 12,2 bilhões de reais em 2024. Na semana, o papel acumulou um ganho de quase 6,5%, ampliando a valorização no ano para mais de 7%.

- ITAÚ UNIBANCO PN ganhou 1,48%, a 32,81 reais eBRADESCO PN subiu 1,04%, a 15,52 reais, fornecendo um apoio positivo relevante, com todas as ações dos bancos listados no Ibovespa terminando a sessão no azul. O pior desempenho foi BTG PACTUAL UNIT, com variação positiva de 0,11%.

- GOL PN fechou em baixa de 8,07%, a 5,92 reais, após desabar até 5,51 reais (-14,4%), com agentes ainda digerindo o pedido de recuperação judicial nos EUA pela companhia, embora não tenha sido exatamente uma surpresa após o noticiário recente envolvendo a aérea. Pela manhã, o CEO da Gol afirmou que o processo deve durar "substancialmente menos" que o prazo de 20 a 30 meses de outras empresas latino-americanas. Ele também afirmou que não espera demissões relacionadas ao "Chapter 11". O Bradesco BBI cortou as ações da Gol para "underperform" e reduziu o preço-alvo de 10 reais para 1 real, citando que, "com ou sem o 'Chapter 11', todos os cenários levam a uma enorme diluição do capital". AZUL PN subiu 1,42%.

- USIMINAS PNA avançou 5,20%, a 9,50 reais, endossada por relatório do JPMorgan elevando a recomendação dos papéis para "overweight" e o preço-alvo de 8 reais para 11 reais. Os analistas do banco também aumentaram o preço-alvo de CSN de 16 reais para 17 reais, mas mantiveram a recomendação "neutra", enquanto Gerdau também seguiu com classificação "neutra", mas teve o preço-alvo reduzido de 26 reais para 24 reais. CSN ON valorizou-se 1,34%, a 18,16 reais, e GERDAU PN terminou com acréscimo de 0,28%, a 21,84 reais.

- B3 ON cedeu 1,56%, a 13,22 reais, após o Itaú BBA cortar a recomendação dos papéis para "market perform" e reduzir o preço-alvo de 17 reais para 16 reais.

- VULCABRAS ON, que não faz parte do Ibovespa, recuou 7,10%, a 18,45 reais, após anúncio de que pretende realizar uma oferta pública primária de pelo menos 250 milhões de reais, podendo atingir o dobro deste valor dependendo da demanda dos investidores. Os recursos serão destinados para pagamento de dividendos e reforço de caixa.

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