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Inflação no país pode virar bola de neve com alta na taxa de juros dos EUA

Para o Brasil, dólar caro significa pagemento mais alto pela importação e, portanto, mais inflação - Getty Images
Para o Brasil, dólar caro significa pagemento mais alto pela importação e, portanto, mais inflação Imagem: Getty Images

RFI

26/01/2022 07h35Atualizada em 26/01/2022 07h56

A alta da inflação já corroeu o poder aquisitivo das famílias brasileiras em 2021 e tem tudo para se tornar uma bola de neve em 2022, em reflexo à conjuntura internacional. O Banco Central americano dá nesta semana mais um passo para subir progressivamente a taxa de juros historicamente baixa do país, com consequências para a economia do planeta.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos também continuam a retirar os estímulos massivos à economia americana, que impulsionaram o crescimento do país nos últimos anos. O resultado é que o dólar vai se valorizar, tornando o câmbio no Brasil ainda mais desvantajoso para o país.

"O aumento dos juros vai ter que ser gradual, mas constante, para não criar um precipício econômico. Eu tenho certeza que o Banco Central americano vai agir com muita prudência para não colocar o mundo numa situação de recessão. Isso não interessa a ninguém", explica o economista Ernesto Lozardo, ex-presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Dólar caro significa o Brasil pagar mais pelas importações de insumos e petróleo, com impacto em toda a cadeia produtiva e, consequentemente, nos preços. "O lado ruim disso tudo é que a população nacional e internacional, que já empobreceu, vai empobrecer um pouco mais. Vai ter mais inflação, mais recessão e desemprego. E mais inflação vai significar taxas de juros altas por mais tempo", aponta. "Se a nossa inflação já está apontando para dois dígitos, nesse ano vai passar de dois dígitos. Não tem como evitar."

Amortecer o choque

O problema, portanto, é conhecido e previsível. Nos países desenvolvidos, os governos têm se mobilizado para minimizar os danos, com foco na mitigação dos custos da energia - que pressionam a inflação - para as empresas e camadas mais vulneráveis da sociedade. O entendimento é de que a subida de preços é conjuntural, um efeito colateral da retomada econômica acelerada em 2021, graças ao enfraquecimento da pandemia de coronavírus.