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Juros futuros fecham em alta com tom conservador da ata do Copom

As taxas dos contratos futuros de juros subiram na BM&F nesta terça-feira, diante da percepção de o ciclo de afrouxamento monetário pode ser mais moderado e menos intenso, reforçada pela ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada hoje. O documento reiterou o tom conservador do comunicado apresentado após a reunião e reforçou as apostas em um corte de 0,25 ponto percentual da taxa Selic na reunião de novembro.

O DI para janeiro de 2017, que embute as apostas para a política monetária neste ano, subiu de 13,72% para 13,729% no fechamento do pregão regular e o DI para janeiro de 2018 avançou de 12,16% para 12,24%. O DI para janeiro de 2021 subiu de 11,10% para 11,18%.

A ata Copom reiterou que a magnitude da flexibilização monetária vai depender de dois fatores: dos componentes do IPCA sensíveis a juros e atividade, que incluem basicamente a inflação de serviços, retornarem à desinflação em velocidade adequada e do ritmo de aprovação de ajustes fiscais.

Contudo, o BC voltou a falar em "flexibilização gradual e moderada da política monetária", considerando as projeções de inflação no cenário de referência, e ressalvou que, levando-se em conta o cenário de mercado, a evolução das estimativas para os preços sugere "limites para a magnitude dessa flexibilização nesse mesmo horizonte".

Para o economista para América Latina do Standard Chartered, Italo Lombardi, apesar de o BC apontar algumas incertezas em relação ao ritmo de desinflação dos preços, especialmente de serviços, a melhora do cenário, tanto para a inflação quanto para o ajuste fiscal, vai permitir um corte de 0,5 ponto percentual da taxa Selic em novembro.

Ele afirma que está havendo uma desaceleração de serviços, embora mais lenta por causa da indexação da economia. E esse movimento deve continuar sobretudo em função da alta ociosidade no mercado de trabalho e da capacidade instalada das indústrias, , que ainda tem uma defasagem e levam um tempo para se recuperar. Lombardi também lembra que a desaceleração dos preços de alimentos deve contribuir para a queda da inflação de serviços, com impacto no custo da alimentação fora de casa.

O economista tem uma projeção para o câmbio melhor que a usada no cenário de referência do BC de R$ 3,20, esperando um dólar a R$ 3,10 no fim de 2016. "Não me surpreenderia se o dólar começasse a mover na direção de R$ 3 , o que teria impacto imediato nas expectativas de inflação", diz.

Em relação ao ritmo de do ajuste fiscal, Lombardi afirma que a velocidade de aprovação das medidas fiscais no Congresso tem surpreendido positivamente, o que deve contribuir para a melhora das expectativas de inflação. "O governo está muito alinhado com o Congresso e a aprovação das medidas de ajuste está andando superbem. Acho que a PEC 241 [que limita os gastos do governo á inflação] será aprovada hoje com facilidade na Câmara", diz Lombardi.

A Câmara vota nesta terça-feira em segundo turno a PEC 241. A expectativa do mercado é que a proposta passe com folga. A votação da medida em primeiro turno no Senado está marcada para 29 de novembro um dia antes da decisão do Copom, e é um fator que pode influenciar a decisão do BC sobre o tamanho do corte da taxa Selic.

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