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Dólar tem maior alta desde crise política de maio

O dólar teve forte alta nesta terça-feira, flertando com R$ 3,35. A moeda ronda agora os maiores níveis desde 18 de maio, quando os mercados reagiram abruptamente às denúncias contra o presidente Michel Temer.


No fechamento, o dólar interbancário subiu 1,32%, a R$ 3,3320. A valorização é a mais forte desde 18 do mês passado, quando a moeda disparou mais de 8%, alta mais intensa desde 1999.


Na máxima de hoje, o dólar foi a R$ 3,3430, pico também desde 18 de maio.


No mercado futuro, em que os negócios se encerram às 18h, o dólar para julho tinha valorização de 1,28%, a R$ 3,3345.


A cotação mostrou força desde cedo, tendo como pano de fundo a alta global do dólar. O tombo das commodities a mínimas em mais de 14 meses e novas declarações "hawkish" de integrantes do Fed sustentaram a divisa americana em terreno positivo frente a várias moedas emergentes.


Mas no Brasil o movimento acelerou no fim da manhã, com a notícia de que a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal rejeitou o relatório da reforma trabalhista por 10 votos a 9. A inesperada derrota do governo ampliou dúvidas sobre a capacidade do presidente Michel Temer de levar adiante a agenda de reformas. O placar desfavorável chamou ainda mais atenção por estar relacionado a um projeto considerado mais fácil de negociação. O resultado, portanto, eleva riscos em torno da aprovação da reforma da Previdência, que teoricamente exige mais esforço do governo.


Segundo analistas, no contexto atual o câmbio parece mais vulnerável. Os profissionais lembram que o Banco Central pode intensificar as atuações e voltar a fazer ofertas líquidas de swap cambial - como em maio -, mas a redução dos fluxos no segmento primário e o exterior mais arisco agem no sentido de manter a moeda americana em alta.


O profissional de uma corretora com forte atuação no mercado de câmbio disse ter visto uma série de "stops" de vendidos em dólar. "A notícia pegou todo mundo de surpresa, e todo o movimento ficou concentrado no mercado futuro", diz, acrescentando que o mercado físico de câmbio está com pouca liquidez. "Há uma falta de previsibilidade que vai continuar afetando o dólar, ainda mais com o exterior piorando", nota o profissional.

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