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Grécia volta ao mercado de bônus depois de três anos

(Atualizada às 12h49) A Grécia voltou hoje a emitir dívida após três anos fora do mercado, em operação liderada pelos bancos BNP Paribas, BofA Merrill Lynch, Citi, Deutsche Bank, Goldman Sachs International Bank e HSBC.




Foi um importante para o país, que vem tentando uma solução, além do apoio da "troica" (Comissão Europeia, FMI e BCE) para seu financiamento. Em junho, os credores concordaram em desembolsar 8,5 bilhões de euros à Grécia como parte do programa de resgate que expira em agosto de 2018, o que foi efetivado em 10 de julho. Embora o desejo do governo grego fosse um "perdão" de parte da dívida, o acordo foi um alívio para o país, que protagonizou a crise na Europa em 2009.




Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou "em princípio" uma parcela de US$ 1,8 bilhão para o país, uma vez que ainda considera que a dívida grega "insustentável" sem que os credores europeus concedam um significativo corte no total. Entretanto, o pleito de integrar o programa de compras de ativos do BCE não foi atendido, embora Mario Draghi tenha elogiado os esforços do país na entrevista coletiva após a reunião de política monetária da semana passada.




A solução para fechar as contas deste ano foi então testar o mercado com essa emissão. Embora a Grécia já pudesse voltar aos mercados para gerir sua dívida, o limite de endividamento imposto pelo FMI, de 325 bilhões de euros, impede que novas emissões de títulos criem uma reserva de caixa, como Atenas gostaria.




A solução encontrada foi o retorno ao mercado com uma troca de dívida, como anunciado ontem. Os detentores de bônus vincendos em 2019 emitidos há três anos poderão "devolvê-los" ao governo grego com lucro, já que a compra foi feita abaixo do valor nominal.




Foram angariados 3 bilhões de euros (US$ 3,5 bilhões) por meio da emissão de uma novo bônus de cinco anos e da troca de um anterior, informou um dos gerentes da operação. O valor da emissão deve ser dividido igualmente entre o novo título e a troca de um bônus com vencimento em 2019, captado a 4,75%. O novo bônus tem data de vencimento em agosto de 2022 e um cupom de 4,375%, com o yield final situando-se em 4,625%. A demanda conjunta para essa emissão superou os 6,5 bilhões de euros, informou um dos gerentes da operação.




No mercado secundário, a boa recepção dos investidores traduziu-se em queda do juro do título de 10 anos no mercado secundário, que caiu ao menor patamar desde 2010, a 5,29%. Em 2015, quando cresceu fortemente a possibilidade de o país sair da zona do euro, o yield chegou a 15,4%. No começo da crise, no início de 2012, a quase 37%.




Alexis Tsipras, primeiro-ministro grego, prometeu ontem desafiar seus críticos tirando o país "de sua crise mais longa nos tempos modernos", em entrevista ao "The Guardian". Tsipras disse que "o pior claramente ficou para trás". Seu otimismo vem na esteira da decisão da S&P em elevar a perspectiva para o rating de crédito soberano da Grécia para "positiva". A nota, contudo, permanece em território especulativo (B-), seis abaixo do grau de investimento. A revisão do rating reflete a expectativa da agência de que a dívida e o serviço da dívida vão diminuir gradualmente, apoiados pela recuperação econômica.


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