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Para Latam, "céus abertos" pode acelerar reação da demanda na aviação

09/01/2018 16h00

O presidente da Latam Airlines Brasil, Jerome Cadier, que integra o maior grupo de aviação da América Latina, prevê que a implementação do acordo de "céus abertos" entre Brasil e Estados Unidos ? que permite às empresas dos dois países criarem voos entre os dois territórios sem limites de cotas ? deve acelerar a retomada da demanda pelo transporte aéreo no país, ao estimular a concorrência e aumentar a conectividade dos aeroportos brasileiros com o restante do mundo.


"O [acordo de] céus abertos estimula a concorrência, porque abre mercado e beneficia os passageiros", disse o executivo ao Valor nesta terça-feira (9). Segundo ele, a aprovação na Câmara dos Deputados do acordo, no dia 19 de dezembro último, destravou o encaminhamento desse acordo, que estava parado há mais de um ano no Congresso. "Foi um passo super importante", afirmou Cadier.


O acordo de céus abertos, assinado pelos governos brasileiro e americano em 2011, vinha sendo implementado paulatinamente desde então. A última etapa ? que libera totalmente os céus entre os dois países ? depende de ratificação no Congresso e da sanção do presidente da República. Após o sinal verde da Câmara, faltam agora a votação no Senado e a sanção de Michel Temer.


Para a Latam, a ratificação do céus abertos é condição necessária para que a empresa implemente o Joint Business Agreement (JBA), contrato assinado com a America Airlines, a maior empresa aérea dos Estados Unidos, em janeiro de 2016. Isso porque o governo americano considera essa uma pré-condição para liberar em território americano os contratos de JBA.


Por meio do JBA, as duas aéreas poderão operar de maneira associada rotas e voos entre a América do Sul e os Estados Unidos, dividindo despesas e compartilhando receitas. "Como poderemos fazer tudo combinado, poderemos colocar mais voos em horários diferentes em um mesmo dia, além de otimizar nossas conexões domésticas com as rotas internacionais e trabalhar mais voos sazonais, em períodos de férias, por exemplo", afirmou Cadier.


O executivo trabalha com um cenário em que Latam e American Airlines poderão implementar essa parceria entre o segundo semestre deste ano e o início de 2019, dependendo das aprovações de autorizações ainda pendentes no Chile, sede da Latam, e nos Estados Unidos.


"Podemos avançar o acordo apenas entre a Latam do Brasil e a American Airlines, mas teremos maior eficiência se pudermos integrar as malhas internacionais do grupo do Chile nesse processo", afirmou.


Em entrevista ao ValorPRO, serviço de informação em tempo real do Valor, na semana passada, o diretor para Brasil da American Airlines, Dilson Verçosa, também disse que trabalha com a expectativa de que o acordo de céus abertos seja sancionado ainda este semestre, abrindo espaço para que a implementação da Joint Business Agreement com a Latam ocorra entre o fim de 2018 e início de 2019.


Retomada


Segundo Jerome Cadier, a retomada da demanda pelo transporte aéreo no Brasil está ganhando tração, tanto nas rotas domésticas como nas internacionais. "As flutuações que a gente vinha percebendo, com uma semana boa seguida por uma semana ruim, têm sido cada vez menores. O comportamento da demanda está mais consistente. Tanto que o grupo decidiu ter uma meta de crescimento da oferta no Brasil pela primeira vez desde 2013", afirmou o executivo.


No último dia 3, o grupo Latam Airlinesdivulgou projeções("guidance) para 2018, com previsão de aumentar a capacidade no Brasil entre 2% e 4%. "Em tese, o ano de 2018 já está dado, mas a implementação dos céus abertos pode influenciar positivamente o setor", disse Cadier.


De janeiro a novembro de 2017, a Latam Airlines Brasil acumulava uma retração de 3,8% na demanda em passageiros-quilômetros transportados (RPK, na sigla em inglês) e uma redução de 4% na oferta apurada em assentos-quilômetros disponíveis (ASK), em comparação ao mesmo período do ano anterior.


Parte da maior oferta da Latam no Brasil em 2018 será obtida com mais voos internacionais, partindo principalmente de Guarulhos (SP), mas também do Rio de Janeiro, Brasília e capitais do Nordeste, como Fortaleza, com lançamento de novas rotas, como as que atendem Boston (Estados Unidos), Roma (Itália) e Tel Aviv (Israel).


Cadier afirmou que alguns hubs vão crescer de forma mais forte - como o de Guarulhos e o de Brasília, que terão um incremento das operações da ordem de 17% e 7%, respectivamente.


O presidente da Latam Airlines Brasil apontou que, em Guarulhos, já ocorre alguns limites de operações nos horários de pico. "Por isso estamos em discussões com o aeroporto e com a Anac para aumentar a eficiência no terminal, com flexibilizações em rotinas de pousos e decolagens", disse Cadier.


Também na American Airlines, o cenário é de crescimento em 2018. Segundo o diretor da companhia no Brasil, os atuais 87 voos semanais da empresa para o país superam em 11,5% as 78 frequências de um ano atrás.


O diretor da American Airlines, Dilson Verçosa, pondera, entretanto, que alguns indicadores ainda não voltaram aos patamares de 2014, anteriores aos do início do ciclo de crise econômica no Brasil. "Mudanças no ambiente econômico ou político ainda podem voltar a afetar essa reação demanda", disse Verçosa.

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