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Ibovespa cai após declaração de Powell; dólar ronda R$ 3,25

27/02/2018 13h35

O Ibovespa tentou resistir durante boa parte da manhã à pressão por realização de lucros mas acabou cedendo. No começo da tarde, o índice chegou a perder os 87 mil pontos. Caía 0,66% às 13h30, para 87.075 pontos, depois de tocar a mínima de 86.613 pontos. O movimento acontece num momento em que as bolsas americanas oscilam buscando digerir as declarações do novo presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.


Embora tenha dado sinais de gradualismo na condução da política monetária americana, Powell afirmou que vê "preços elevados", colocação que traz à tona a discussão sobre a volta da inflação e, assim, pressiona os Treasuries e as bolsas.


Aqui, profissionais afirmam que a correção é considerada moderada e típica de uma realização de lucros. Afinal, a bolsa brasileira acumula ganho de 2,33% mesmo com a queda de hoje, e de 13,73% no ano.


"O Ibovespa claramente está corrigindo os ganhos porque ações que tiveram forte alta recentemente estão sustentado a queda agora", diz um operador. Ele cita o caso de Itaú, que perde 1,53%, depois de ter alcançado máximas históricas durante o mês de fevereiro.


Petrobras PN, que lidera com folga o giro de negócios nesta manhã (R$ 518 milhões) também contribui para a correção ao registrar baixa de 0,46%. Vale ON também se destaca entre as quedas de peso (-1,03%). Nesse caso, a expectativa pelo balanço é um argumento adicional para a correção. "Claramente os estrangeiros se destacam na venda, e isso pressiona justamente os papéis que tiveram forte alta recentemente e que tradicionalmente são as escolhas desse investidor na hora da compra", explica um profissional.


CCR ON, que chegou a cair forte durante a sessão, operava em alta de 1,21%. O volume de negócios também chama a atenção. O papel movimentou R$ 335 milhões, o segundo maior volume da bolsa.


Segundo gestores, a onda vendedora da ação era liderada ontem por fundos estrangeiros, que por questões de compliance não podem manter ações de companhias sob qualquer tipo de investigação em suas carteiras. Trata-se de um papel que vinha sendo comprado também por fundos locais mas, por ora, o fluxo vendedor entre esses agentes não parecia relevante. De todo modo, instituições já estão alterando suas recomendações. E o caso de Itaú BBA, que substituiu ontem o papel da carteira Top 5 por Ambev.


A CCR ON fechou o pregão de ontem em baixa de 10%, o que provocou uma perda de valor de mercado equivalente a R$ 4,62 bilhões.


Dólar


Depois de uma reação inicial mais moderada, o dólar ganha força e vai às máximas do dia frente ao real nesta terça-feira. O movimento ocorre em sintonia com o sinal da moeda no exterior, onde vai a picos não vistos em duas semanas, enquanto o presidente do Federal Reserve (Fed, BC americano), Jerome Powell, responde a perguntas a parlamentares americanos.


Um comentário específico de Powell sobre "elevados" preços de alguns ativos contribuiu para levar os índices de ações em Wall Street para as mínimas, o que ajudou a puxar o dólar ante várias divisas emergentes. A afirmação de Powell de que ele tem melhorado sua avaliação sobre a economia desde dezembro e que é preciso observar a inflação se soma a um tom visto de certa forma como "hawkish", o que puxou os "yields" dos Treasuries de volta para a faixa de 2,90%, 5 pontos-base acima das mínimas do dia.


Às 13h30, o dólar comercial subia 0,56%, a R$ 3,2492, na máxima indo a R$ 3,2553, depois de tocar uma mínima de R$ 3,2223.


No mercado futuro, o dólar para março tinha alta de 0,79%, a R$ 3,2505. O dólar para abril, próximo a se tornar referência, se apreciava 0,77%, a R$ 3,2615.


Com o mês de março a caminho, no entanto, o real pode ter algum alívio a partir da intensificação de fluxos de comércio exterior, notadamente das exportações do complexo soja, um dos de maior peso na pauta de exportação brasileira.


Entre 2013 e 2017, o volume combinado de exportação de soja em grão, farelo e óleo (bruto mais refinado) praticamente triplicou em relação a fevereiro, em média. Mesmo com queda prevista de 4,66% para o ano, o volume de exportação deve se manter acima dos US$ 30 bilhões, valor expressivo.


O dólar deve evitar altas mais firmes também pela expectativa de que o Banco Central volte a fazer rolagem integral de contratos de swap cambial. Em fevereiro, pelo quinto mês consecutivo o BC manteve o estoque de swaps virtualmente estável, atendendo à demanda por "hedge" e desestimulando corrida por moeda estrangeira.


O estoque desses ativos se mantém em US$ 23,796 bilhões, patamar em torno do qual está desde outubro do ano passado. O próximo lote de swaps está previsto para expirar em 2 de abril e soma US$ 9,029 milhões.


Juros


Os juros futuros voltam a operar em alta no início da tarde desta terça-feira. As declarações iniciais do novo presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, amparam uma postura mais defensiva dos investidores. No entanto, ainda não são suficientes para um avanço mais consistente das taxas.


Contrato mais negociado até o momento, o DI janeiro/2021 apontava taxa de 8,490%, com leve alta ante 8,480% do ajuste anterior.


Mesmo em vencimentos um pouco mais longo, o avanço é limitado. O Di janeiro/2023 projeta taxa de 9,290%, de 9,270% ontem.

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