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Sem descuidar de política, juros futuros recuam com foco em exterior

18/04/2018 16h57

A despeito das persistentes incertezas no quadro eleitoral, os juros futuros voltaram a encontrar catalisadores de mercado fora da cena política. O sinal positivo no exterior e a conjuntura ainda favorável à queda de juros conduziram as taxas dos DIs para baixo.

O recuo ficou ainda mais evidente em vértices de médio e longo prazo, que vinham sendo pressionados pelas preocupações com riscos geopolíticos no exterior e a falta de previsibilidade na corrida presidente. Nesta quarta-feira (18), sem surpresas negativas por aqui, foi a vez da trégua no exterior puxar o movimento enquanto se observam bons resultados corporativos nos Estados Unidos.

A taxa do contrato de DI para janeiro de 2023 caiu até 9,020% na mínima do dia, voltando aos níveis do começo do mês. A intensidade do movimento também evidencia o tamanho do respiro na sessão. No momento de maior fraqueza do dia, a baixa era de 9 pontos-base ante o fechamento anterior, a mais acentuada em duas semanas.

"Por mais que haja a incerteza eleitoral e as dúvidas sobre a capacidade de um novo governo executar as reformas econômicas, ainda prevalece um tripé de fundamentos positivos: a inflação está contida, o juro está baixo e a reservas cambiais são elevadas", afirma Renan Silva, gestor de fundos no Bullmark Financial Group.

Próximo governo

Isso não significa, porém, que o mercado deixe de lado o debate sobre o próximo governo. Ainda reverberam as dúvidas sobre a agenda econômica de alguns dos nomes que vêm ganhando projeção na corrida presidencial, como o de Joaquim Barbosa (PSD). O ex-ministro do Supremo ainda não se manifestou publicamente sobre a candidatura, tampouco discutiu recentemente sobre suas ideias para a economia. No entanto, ele já angaria cerca de 10% das intenções de voto, de acordo com a pesquisa Datafolha, divulgada no fim de semana.

"O lado positivo é que o debate eleitoral - seja com Barbosa ou com Geraldo Alckmin - vai ficar no centro direita, a esquerda representada pelo PT já está bem fragilizada", acredita um gestor.

Enquanto os outsiders ganham projeção, os candidatos mais alinhados à bandeira das reformas ainda estão patinando nas pesquisas de intenções de voto. Prevalece a incerteza sobre o ajuste de contas públicas a partir do ano que vem, embora esse seja um problema que deve ser enfrentado de qualquer forma, na avaliação de profissionais de mercado.

"O quadro político não é o melhor dos mundos, mas mesmo uma eleição tão conturbada dá pouca chance de mudar radicalmente a conjuntura econômica para juros", afirma Paulo Nepomuceno, da Coinvalores. A atividade já tem frustrado as expectativas e o desempenho, ainda elevado, pode piorar com as incertezas políticas, o que amplia o espaço para injeção de estímulo na economia.

No fim da sessão regular, às 16h, o DI janeiro/2019 era negociado a 6,220% (6,230% no ajuste anterior), oDI janeiro/2020 apontava 6,910% (6,920% no ajuste anterior),O DI janeiro/2021 recuava a 7,860% (7,920% no ajuste anterior), oDI janeiro/2023 cedia a 9,020% (9,110% no ajuste anterior) eo DI janeiro/2025 marcava 9,550% (9,650% no ajuste anterior).