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Cenário de pandemia fortalece a mídia e o jornalismo

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Imagem: Arte UOL
Fernando Taralli

Fernando Taralli

Fernando Taralli é CEO da VML Brasil e CIO da VMLY&R Latam e atua há 16 anos nas operações da WPP no Brasil. Ao longo deste período, trabalhou para algumas das principais marcas, nacionais e internacionais. Antes de trazer a VML ao Brasil, no final de 2011, implantou a primeira estrutura digital da Y&R, com a missão de potencializar a presença de grandes clientes como Casas Bahia, à época, o maior anunciante nacional, no ecossistema digital. De 2004 a 2008, como vice-presidente da Wunderman, participou ativamente da sua consolidação como uma das grandes referências em estratégia digital e CRM no mercado nacional.

15/04/2020 04h01

A pandemia causada pelo coronavírus colocou quase toda a população mundial em isolamento. Antes, na correria do dia a dia, as mídias sociais eram usadas por muitos de nós como fonte de informação (tudo na ponta do dedo) em textos curtos. Quase não havia a preocupação em confirmar a veracidade dos fatos.

Com o isolamento social, as pessoas estão se dando conta de que, em se tratando de uma crise sanitária de proporções inimagináveis, as redes sociais podem ser um criadouro de notícias falsas, de fontes pouco confiáveis, que espalham o vírus das fake news.

No passado, nossa população abraçou o conceito do "free" (conteúdos gratuitos), colocando o Brasil como líder mundial no uso das redes sociais. Mas tal posição tem um preço muito alto, na medida em que a desinformação traz prejuízos às democracias.

Busca por informações confiáveis

Hoje, o cenário é outro. As chamadas mídias tradicionais, como emissoras de rádio e TV e jornais impressos e digitais, reconquistaram o seu papel de protagonistas na disseminação de informações confiáveis.

O trabalho jornalístico e incansável na cobertura da pandemia e seus impactos em todas as esferas da sociedade, feito por profissionais comprometidos com a verdade dos fatos e com o bem-estar coletivo, se tornou uma vacina poderosa no combate à propagação do Covid-19.

Graças ao trabalho desenvolvido pela imprensa, informações corretas, orientações e alertas sobre o momento mais difícil vivido pela humanidade desde a Segunda Guerra Mundial chegam à população de todas as regiões do país.

Crescem a audiência e a confiança

A pandemia está contribuindo para aumentar a audiência dos meios tradicionais de informação, num movimento inverso ao que vinha sendo registrado.

Nos últimos anos, os jornais perderam leitores, tanto nas versões impressa quanto digital. O total de assinantes dos nove maiores jornais, em dezembro de 2014 (início da recessão), era de 1.712.424. Em dezembro de 2019, esse número havia baixado para 1.476.303, queda de 13, 8%

Apenas para efeito de comparação, nesse mesmo período, o Brasil tornou-se um dos maiores mercados da Netflix, respondendo por mais da metade dos 29 milhões de assinantes latino-americanos. Os brasileiros pagam entre R$ 21,90 e R$ 45,90 para acessar a plataforma. Enquanto isso, um plano de assinatura digital de jornais brasileiros custa entre R$ 19,90 e R$ 29,90.

Cientes do seu papel social e da importância de ajudar no trabalho de prevenção do Covid-19, muitos jornais abriram seus conteúdos online sobre a crise, permitindo assim à população acompanhar as políticas públicas que estão sendo implantadas.

Além de cumprir uma função social fundamental no enfretamento do vírus, essa iniciativa contribui para diferenciar o joio do trigo. Como foi mencionado inicialmente, a internet se tornou um espaço fértil para a contrainformação, o que é altamente prejudicial ao desenvolvimento da civilização.

Os aprendizados da pandemia

Nesse sentido, temos o dever de prestigiar a iniciativa dos veículos jornalísticos e ajudá-los a se fortalecer, aumentando o número de assinaturas e os investimentos publicitários. A liberdade de expressão e o trabalho da imprensa profissional é fundamental para que o país atravesse essa crise, reafirmando que somos uma nação soberana e democrática.

É hora de nos unirmos para encontrar meios de valorizar os profissionais que garantem a saúde mental e física da população. A pandemia já nos trouxe inúmeros aprendizados, como reconhecer o valor da ciência, da tecnologia e inovação, e dos profissionais de saúde e da informação, entre outras atividades públicas e privadas, que estão se expondo ao risco para que a maioria da população possa ficar em casa.

Informação de qualidade, um bem precioso

Os jornalistas estão na linha de frente e muitos continuam levantando informações nas ruas, faça sol ou faça chuva, e muitas vezes sendo alvos de ataques verbais ou até físicos.

Em meio a tanta insegurança e instabilidade, temos uma certeza: é fundamental fomentar a pluralidade e o debate das ideias, mas para que esse debate seja rico e frutífero é necessário ter informação confiável.

Agora é a hora e a vez de apoiar a mídia tradicional. Se queremos construir um país melhor e mais justo é preciso reconhecer o valor do jornalismo profissional.

Se você concordar com meu ponto de vista, que tal assinar um jornal ou presentear quem você ama com uma assinatura, mesmo que seja só para acesso no digital? Informação de qualidade é um bem precioso na vida de todos nós.

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