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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

A corrida por metais críticos para transição energética

Robôs em processo de montagem de carro elétrico na fábrica da BYD na China - Divulgação
Robôs em processo de montagem de carro elétrico na fábrica da BYD na China Imagem: Divulgação

Eduardo Bartolomeo*

Colunista convidado

04/01/2024 04h00

O mundo vive, hoje, uma revolução na área de energia e a mineração responsável está inserida neste contexto. Pela primeira vez em mais de um século, o motor de combustão interna ganhou um concorrente à altura: os veículos elétricos (VEs).

Um recente relatório do Rocky Mountain Institute, um think tank norte-americano, mostra que os VEs poderão responder por dois terços dos veículos comercializados no mundo em 2030. As vendas de carros elétricos, de fato, não param de crescer ano a ano. Em 2022, foram 10 milhões. Este ano, devem chegar a 14 milhões segundo estimativas da Agência Internacional de Energia (IEA, da sigla em inglês)

A indústria automobilística brasileira, por sua vez, anunciou investimentos de cerca de R$ 14 bilhões em infraestrutura para carros elétricos até 2035 diante da possível aprovação do projeto de lei do Combustível do Futuro (4.516/23), assinado pelo presidente Lula e que prevê uma série de iniciativas para descarbonizar a matriz energética dos transportes do país. Projeções apontam que a demanda global por cobre, níquel e lítio, utilizados nas baterias dos veículos elétricos, deve crescer cerca de 25%, 60% e 250%, respectivamente, até 2030. Para sustentar essa revolução, o mundo precisará cada vez mais dos chamados metais de transição energética.

Esta foi uma das conclusões da Future Investment Initiative (FII), conferência promovida em Riad, na Arábia Saudita, da qual participei no fim do ano passado e será realizada novamente agora em janeiro. A FII se consolidou como a "Davos do Deserto", em referência a outro encontro importante, o Fórum Econômico Mundial. Lá, pude perceber que o Oriente Médio está florescendo para uma nova economia de baixo carbono. A região está se preparando para a transição energética - e a Arábia Saudita está tomando medidas efetivas para isso.

A Vale sempre esteve bem-posicionada nesta área, com produtos de classe mundial e de baixo carbono, mas precisava gerar valor para o seu negócio de metais para transição energética. Desde o ano passado, fizemos acordos comerciais estratégicos com Tesla, Northvolt e General Motors. Como resultado destes acordos, a previsão é de triplicar a produção de cobre e aumentar em mais de 50% a de níquel. Somente em relação ao níquel Classe 1, adequado para a produção de baterias, nossa meta é que 30% a 40% das vendas da empresa sejam para atender a indústria de carros elétricos.

É por isso que criamos, em julho, a Vale Metais Básicos, nossa empresa focada em metais da transição energética. O Conselho de Administração da nova empresa, presidido por Mark Cutifani, ex-executivo-chefe da mineradora Anglo American, conta também com Jerome Guillen, ex-presidente do setor automotivo da Tesla. Com a entrada de novos parceiros, a Vale Metais Básicos será capaz de investir R$ 50 bilhões no Brasil na próxima década, gerando empregos, aumento de arrecadação e novas

oportunidades para fornecedores no país e, sobretudo, no Pará. É no Estado que estão nossas minas de cobre e níquel no Brasil, que vêm avançando no aumento de sua capacidade de produção de forma sustentável, com operações que utilizam 100% de energia sustentável.

E aqui me atenho novamente aos números desta revolução energética. Segundo o Ministério das Minas e Energia, o consumo anual da frota de veículos eletrificados pode chegar até 4,4 TWh até 2030, representando de 0,5% a 1,5% do consumo elétrico brasileiro. A mudança resultará na redução de 3 a 5 bilhões de litros de gasolina consumidos anualmente no país.

Globalmente, como prevê Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, até o fim da década, os carros elétricos evitarão a necessidade de pelo menos 5 milhões de barris por dia de petróleo, o que equivale a emissões de mais de 700 MtCO2 por ano. E trata-se apenas da primeira onda da revolução energética, à qual se seguirão as de ônibus e caminhões elétricos.

Diante deste cenário, avalio que a Vale, inserida no contexto brasileiro de promover a mineração responsável, está no caminho certo, porque tem escala e capacidade de investimento para alavancar ações que sejam relevantes para a sociedade, com geração de resultados ao negócio, renda e empregos para a redução das desigualdades no Brasil em um mundo cada vez mais descarbonizado.

*Eduardo Bartolomeo é CEO da Vale