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Carla Araújo


Carla Araújo

Justiça arquiva ação contra Regina Duarte por fala que minimizou ditadura

Bolsonaro na cerimônia de Posse da então Secretaria Especial da Cultura do Ministerio do Turismo, Regina Duarte - Pedro Ladeira/Folhapress
Bolsonaro na cerimônia de Posse da então Secretaria Especial da Cultura do Ministerio do Turismo, Regina Duarte Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

20/07/2020 19h43

A juíza Maria Amélia Almeida Senos de Carvalho, da 23ª Vara Federal do Rio de Janeiro, indeferiu o pedido de danos morais contra a atriz e ex-secretária da Cultura, Regina Duarte, no valor de R$ 70 mil por declarações que minimizavam mortes e tortura na ditadura.

De acordo com a juíza, que decidiu arquivar o processo, Regina Duarte não poderia responder a ação como pessoa física. A União, por meio da AGU (Advocacia-geral da União) continua como ré no processo e ainda pode ter que arcar com o dano moral.

A juíza concedeu 15 dias para a autora da ação e para a União se manifestarem.

O processo foi movido pela filha do diplomata, editor e jornalista José Jobim, que foi torturado e morto pelas forças do governo militar, em 1979.

Na ação, a autora citava a entrevista da então secretária de Cultura à CNN. Para a filha do diplomata, Regina Duarte fez comentários desrespeitosos às vítimas do regime ditatorial, cujas falas diminuíram e ridicularizaram o sofrimento da autora e de seus familiares.

A Comissão Nacional da Verdade apurou que Jobim faleceu em 24/3/1979 "em razão de morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro, no contexto de perseguição sistemática e generalizada à população identificada como opositora política ao regime ditatorial de 1964 a 1985".

Na entrevista concedida à CNN, Regina Duarte minimizou as mortes na ditadura e disse que "Na humanidade, não para de morrer [gente]. Por que as pessoas ainda ficam ó [chocadas]? Não quero arrastar um cemitério de mortos nas costas", disse.

Na mesma ocasião, a atriz cantou a música Pra Frente Brasil, canção associada ao período militar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Carla Araújo