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Carla Araújo


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Pressão para que Pazuello deixe Exército deve aumentar com efetivação

O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, durante cerimônia em unidade da Fiocruz no Rio de Janeiro - José Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo
O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, durante cerimônia em unidade da Fiocruz no Rio de Janeiro Imagem: José Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

14/09/2020 20h42Atualizada em 14/09/2020 21h12

O presidente Jair Bolsonaro decidiu efetivar o general Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde. A informação foi confirmada por duas fontes do governo à coluna. Segundo auxiliares do presidente, a gestão de Pazuello - que tem ampliado o diálogo com secretários estaduais - está sendo bem avaliada.

Além disso, o general conquistou a confiança do entorno do presidente e conseguiu vencer, inclusive, as resistências do Exército para que ele deixasse a farda e antecipasse a ida à reserva.

Apesar disso, segundo uma fonte palaciana, é possível que a pressão sobre Pazuello volte à pauta, já que as Forças Armadas alegam nos bastidores que quem tem cargo político deveria deixar a instituição, que é de Estado.

Inicialmente, Pazuello ficaria no cargo até agosto, mas o presidente já vinha sinalizando que não tinha pressa em achar um substituto.

Forças Armadas em pauta

Depois que o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, resolveu antecipar a ida para a reserva, a pressão dentro da caserna era para que Pazuello fizesse o mesmo caminho. Além dele, o Almirante Flávio Rocha, que é Secretário de Assuntos Estratégicos e conselheiro de Bolsonaro, também sofreu pressão para deixar a farda. Ambos, porém, resistem à ideia.

Um general, que falou em condição de anonimato, admitiu que esse tema deve voltar à pauta com a efetivação de Pazuello. A avaliação feita na cúpula das Forças Armadas é de militar da ativa com cargo na Esplanada passa a "falsa ideia" de que as Forças Armadas fazem parte do governo. Para esse general, Pazuello possivelmente terá que fazer uma escolha.

Na avaliação de outro militar de alta patente, é possível que a saída de Pazuello das Forças Armadas esteja no acordo com o presidente e que se ele permanecer poderá haver alguma "impropriedade jurídica".

Trajetória

Desde maio no comando da pasta, Pazuello é formado pela Academia Militar das Agulhas Negras, em 1984, e presta serviços ao governo desde a época do presidente Michel Temer quando, em fevereiro de 2018, assumiu a coordenação da Operação Acolhida, que cuida de refugiados da Venezuela em Roraima.

Na época que Pazuello chegou ao Ministério da Saúde ele foi bastante elogiado pelos pares. O atual ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, disse na ocasião que o novo secretário da Saúde tem um currículo excelente. "Ele é excepcional em áreas de logísticas é conhecido por fazer acontecer", afirmou ao UOL.

"A característica principal dele é 'resolvedor' de problemas. No Exército temos uma gíria: é um cara desmanivrado", disse um coronel que fez com Pazuello o Curso de Comando e Estado-Maior do Exército. "Se a parte de gestão e logística no Ministério da Saúde estiver enrolada, o Pazuello vai resolver", disse na ocasião.

A cerimônia de posse de Pazuello deve acontecer ainda nesta semana, possivelmente na quarta-feira.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Carla Araújo