PUBLICIDADE
IPCA
0,64 Set.2020
Topo

Bolsonaro tenta ser "bombeiro" em brigas de Guedes com Marinho e Maia

BRASILIA, DF,  BRASIL,  12-08-2020: Bolsonaro acompanhado de Alcolumbre, Maia, Guedes, Marinho e parlamentares durante pronunciamento sobre o compromisso do governo com o Teto de Gastos - Pedro Ladeira/Folhapress
BRASILIA, DF, BRASIL, 12-08-2020: Bolsonaro acompanhado de Alcolumbre, Maia, Guedes, Marinho e parlamentares durante pronunciamento sobre o compromisso do governo com o Teto de Gastos Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

05/10/2020 14h27Atualizada em 05/10/2020 16h50

A personalidade impulsiva do presidente Jair Bolsonaro já é uma de suas marcas. Muitas vezes, ele fala demais e cria crises para o governo. Nesta segunda-feira (5), no entanto, o presidente decidiu atuar como uma espécie de "bombeiro", para minimizar os desgastes entre membros de sua equipe.

O dia começou cedo, com o presidente recebendo em sua residência oficial o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. O compromisso não estava previamente na agenda.

Na última sexta-feira, Marinho irritou o ministro da Economia, Paulo Guedes, com as notícias de que teria falado mal do mandatário da Economia a investidores em São Paulo. Marinho negou que tenha tentado desqualificar o colega. Guedes não deixou barato e reagiu duramente, tentando colar em Marinho a pecha de ministro "fura-teto".

Segundo um auxiliar do presidente, o desgaste já teria ficado para trás, e Bolsonaro pediu a Marinho cautela em declarações. O ministro do Desenvolvimento tem sido um dos principais responsáveis pelas agendas de viagens do presidente pelo país, e Bolsonaro tem gostado de inaugurar obras.

Nesta mesma manhã, também no Alvorada, Bolsonaro recebeu o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que na semana passada, no ápice da briga com Guedes, sugeriu que o ministro estaria "desequilibrado" e deveria assistir ao filme "A Queda".

Também estavam presentes o ministro da articulação, Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), e o senador Márcio Bittar (MDB-AC), relator do Orçamento de 2021 e que está com a tarefa de designar recursos para o programa de renda básica que o presidente quer ter para chamar de seu.

Na fotografia, divulgada por Bittar nas redes sociais, não há imagens de Marinho. Segundo fontes, porém, ele participou pelo menos de parte da reunião, em que se discutiu também a agenda que o governo ainda acredita que pode tirar do papel em 2021. Além disso, tanto Maia quanto o presidente reforçaram o compromisso do governo de manutenção do teto de gastos.

Pelo menos um auxiliar do presidente reconheceu que não seria bom que Marinho estivesse na foto, já que, como Guedes não estava no encontro, a imagem poderia passar uma mensagem equivocada de apoio de Bolsonaro apenas a um lado de sua equipe.

Justamente por isso, ao sair do Alvorada, Bittar foi até o Ministério da Economia para um encontro com Guedes, que, inclusive, alterou a agenda para receber o senador. No fim do encontro, ao lado de Guedes, Bittar prometeu entregar seu relatório na próxima quarta-feira.

E Maia e Guedes?

Se na crise com Marinho a avaliação é de que o momento está mais calmo, a expectativa agora entre membros do governo é conseguir selar pelo menos uma trégua na relação de Guedes com o presidente da Câmara.

Há a expectativa de que os dois participem nesta noite de um jantar na casa do ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Bruno Dantas. A assessoria de Maia diz que a participação do presidente está prevista. Já a de Guedes diz que "até o momento não há essa informação".

Auxiliares do presidente reconhecem que o temperamento de Guedes não ajuda nas tentativas de calmaria, mas afirmam que Bolsonaro ainda confia em seu ministro da Economia e acredita que o apelo por mais cordialidade nas relações será atendido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.