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Carla Araújo

Sindicalistas afirmam que "fuga" da Ford afeta mais de 50 mil empregos

Trabalhadores da Ford protestam em Taubaté após anúncio de fechamento da fábrica - Rogério Marques/Futura Press/Estadão Conteúdo
Trabalhadores da Ford protestam em Taubaté após anúncio de fechamento da fábrica Imagem: Rogério Marques/Futura Press/Estadão Conteúdo
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

12/01/2021 16h46Atualizada em 12/01/2021 17h52

A decisão da Ford de fechar fábricas e encerrar a produção no Brasil, na avaliação de sindicalistas, afeta "cerca de 50 mil empregos na cadeia produtiva em torno das três plantas desativadas" e é consequência da ausência de um projeto de retomada da economia brasileira, que contemple a reindustrialização do país.

Em nota divulgada nesta terça-feira (12), CUT e Força Sindical afirmam que o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, condenam o país a uma rota de desindustrialização e desinvestimento.

"O governo despreparado e inepto de Bolsonaro e Guedes finge ignorar a importância da indústria como motor do desenvolvimento nacional, não apresenta qualquer estratégia para a atuação da indústria no Brasil e condena o país a uma rota de desindustrialização e desinvestimento, como vínhamos alertando há tempos", diz o texto.

O ministério da Economia lamentou a decisão da Ford deixar o país e montou um grupo de trabalho para tentar dar um rumo para as fábricas da montadora.

Até mesmo o Ministério Público Federal, por meio do Procurador-Geral da República, Augusto Aras, tem articulado com governos e investidores em busca de uma solução. No caso, o foco é pela fábrica em Camaçari, na Bahia.

Contexto político e custo Brasil

O presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Ricardo Patah, disse que o governo brasileiro foi pego de surpresa "porque quis" e que o foco de Bolsonaro é a reeleição.

"Em 2019, a Ford fechou a sua grande montadora de São Bernardo. Não custava nada ter feito o acompanhamento da vida econômica da empresa. Mas o que vale para o atual governo é a eleição de 2022, e a coisa foi deixada de lado. Agora veio a conta", disse, em nota.

Patah diz ainda que a Ford percebeu o pouco peso político e econômico e o grande custo Brasil e por isso decidiu deixar o país. "(a Ford) Vai criar empregos em outros países e deixou três "puxadinhos" para ver o que acontece - um na Bahia, outro em Tatuí (SP) e a sede regional na capital paulista".

Na avaliação do sindicalista, os estados atingidos - São Paulo, Bahia e Ceará - não terão força para fazer nada e a "tragédia social no Brasil vai aumentar, com mais desemprego e o crescimento da informalidade". "O caos social virá com o fim do auxílio emergencial, já valendo a partir deste mês", afirma.

Subsídios

Hoje, o presidente Jair Bolsonaro disse a apoiadores que a Ford não 'falou a verdade' sobre a decisão de fechar as fábricas no Brasil. Na avaliação do presidente, a empresa queria subsídios para continuar produzindo veículos no país.

Neste ponto, os sindicalistas parecem estar ao mesmo lado do presidente e afirmam que "a Ford "foge" do Brasil deixando um rastro de desemprego e desamparo, após ter se valido durante muitos anos de benefícios e isenções tributárias dos regimes automotivos vigentes desde 2001, e que definiram a instalação da empresa em Camaçari, bem como a permanência das suas atividades no Ceará".

Por outro lado, os sindicalistas dizem que "é incontestável a desconfiança interna e internacional e o descrédito quanto aos rumos da economia brasileira com este governo que aí está". "Não se toma uma decisão empresarial como essa sem considerar a total incapacidade do governo Bolsonaro", diz a nota.

"No momento em que a indústria automobilística global passa por uma das mais intensas ondas de transformação, orientada pela eletrificação e pela conectividade, assistimos à criminosa omissão, e até boicote, do subserviente governo brasileiro à indústria, com consequências nefastas para a classe trabalhadora, ante um presidente incapaz de conduzir qualquer diálogo sobre a inserção do país no cenário que se configura rapidamente", afirmam os sindicalistas.

A nota é assinada pelo presidente da Força Sindical, Miguel Torres; pelo presidente da CNM-CUT (Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT), Paulo Cayres; e pelo presidente da INDUSTRIALL Brasil, Aroaldo Oliveira da Silva.

Outro lado

Segundo a Ford, a decisão faz parte da reestruturação global e também no mercado sul-americano. Além disso, a montadora alegou que a pandemia de covid-19 "ampliou a persistente capacidade ociosa da indústria e a redução das vendas, resultando em anos de perdas significativas".

De acordo com a empresa, a estimativa é que 5 mil funcionários sejam demitidos no Brasil e também na Argentina.