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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Wajngarten nunca soube lidar com a imprensa, dizem auxiliares de Bolsonaro

Chefe da Secom, Fabio Wajngarten, arruma microfone ao lado do presidente Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada - Reprodução
Chefe da Secom, Fabio Wajngarten, arruma microfone ao lado do presidente Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada Imagem: Reprodução
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

25/02/2021 16h39

A iminente troca no comando da Secom (Secretaria de Comunicação Social), com a substituição do empresário Fabio Wajngarten pelo Almirante Flávio Rocha, está sendo explicada por auxiliares do presidente Jair Bolsonaro como problemas de relacionamento e falta de entrega.

Interlocutores do presidente ouvidos pela coluna confirmaram a troca e afirmaram que Wajngarten nunca entendeu bem o relacionamento com a imprensa e que, desde a chegada do ministro Fábio Faria, os atritos aumentaram.

Nos últimos dias, o governo teve uma série de problemas de comunicação, como a troca no comando da Petrobras. Além disso, as ações de combate à pandemia foram alvo de críticas de diversos ministros e já havia uma pressão por mudanças há algum tempo.

Apesar disso, Wajngarten continua tendo apreço da chamada ala ideológica, que inclui os filhos do presidente, e por isso deve receber um cargo de assessor especial.

Wajngarten sempre estimulou a narrativa de enfrentamento com a mídia tradicional e sob seu comando o Palácio do Planalto adotou a postura oficial de não responder às demandas.

Além disso, Wajngarten teve problemas com o ex-porta-voz da Presidência, general Otávio do Rêgo Barros e também com o ministro Luiz Eduardo Ramos, quando a Secom estava subordinada à Secretaria de Governo.

Ramos evitou maiores embates e a Secom acabou indo para o guarda-chuva do Ministério das Comunicações, que foi criado junho do ano passado.

Desde então, Wajngarten passou a ser subordinado de Fábio Faria. A mudança não agradou ao empresário, que sempre gostou de exaltar sua proximidade com o presidente. Wajngarten, inclusive, era figura frequente no dia a dia do Planalto e pouco despachava no Ministério.

Conflito de interesses

No ano passado, a o jornal Folha de S.Paulo revelou que Wajngarten recebia, por meio de uma empresa da qual é sócio, dinheiro de emissoras de televisão e de agências de publicidade contratadas pela própria secretaria, ministérios e estatais do governo federal.

Na ocasião, no entanto, Bolsonaro minimizou as denúncias e continuou demonstrando confiança em seu auxiliar.

A relação de Wajngarten com empresas de publicidades e emissoras de TV simpáticas ao presidente, porém, incomodava aliados de Bolsonaro, que temiam desgastes por conta de um eventual conflito de interesses.

Novo Secom

Escolhido para substituir Wajngarten, Almirante Rocha é atualmente é Secretário de Assuntos Estratégicos (SAE) e deve acumular as duas funções. Ainda não está definido se continuará a despachar no terceiro andar do Palácio do Planalto, próximo ao gabinete de Bolsonaro ou se terá despachos no Ministério.

Rocha já vem ganhando espaço no governo há alguns tempo e já havia sido escolhido para outros cargos, como a Secretaria-geral, que agora está sob o comando de Onyx Lorenzoni.

Apesar de ser militar, auxiliares do presidente querem computar a escolha como sendo do ministro Fábio Faria e não da chamada ala militar.