PUBLICIDADE
IPCA
1,16 Set.2021
Topo

Carla Araújo

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Falta a Pazuello credibilidade para assumir agenda de privatizações

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, diagnosticado com covid-19, sem máscara ao lado do presidente Jair Bolsonaro durante transmissão ao vivo - Reprodução/Facebook
O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, diagnosticado com covid-19, sem máscara ao lado do presidente Jair Bolsonaro durante transmissão ao vivo Imagem: Reprodução/Facebook
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

23/03/2021 12h25Atualizada em 23/03/2021 15h16

A informação de que o presidente Jair Bolsonaro estaria estudando dar o Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) ao ministro demissionário da Saúde, general Eduardo Pazuello, é algo que caminha na contramão do que o ministro Paulo Guedes (Economia) busca para tentar tirar do papel os projetos de privatização.

Investigado no STF (Supremo Tribunal Federal) por sua má condução na gestão da pandemia, nos meses à frente da Saúde, Pazuello praticamente enterrou seu currículo de especialista em logística e bom gestor.

Agora, depois de tamanho desgaste, com o país vivendo o seu pior momento da pandemia e alcançando a triste marca de 300 mil mortos por covid, teria o general cacife para assumir a responsabilidade de lidar com investimentos?

A resposta, até mesmo dentro do governo, não é das mais positivas.

Ministros ouvidos pela coluna, que admitem a possibilidade, mas dizem que a decisão ainda não foi tomada, reconhecem que, além de um desgaste com Guedes, conceder o PPI a Pazuello seria um péssimo sinal para investidores.

Na avaliação de um ministro, colocar a agenda de privatizações nas mãos de Pazuello seria um erro grave do presidente.

Segundo essa fonte, os leilões, "apesar de toda dificuldade, estão saindo". Além disso, a tese é de que para trabalhar com concessões e privatizações é preciso credibilidade. "Algo que Pazuello não tem hoje", afirmou um ministro, em condição de anonimato.

Hoje, o PPI é comandado por Martha Seillier, funcionária de carreira que é bem vista por investidores justamente por não atuar com princípios políticos. A secretaria é subordinada a Guedes, mas caso a mudança seja concretizada o PPI voltaria ao Palácio do Planalto, sob o comando do ministro Onyx Lorenzoni (Secretaria-Geral).

Onyx já teve a pasta quando era ministro da Casa Civil no início do governo. A mudança do PPI para a Economia tinha como justificativa justamente tentar destravar a agenda de concessões e privatizações.

Guedes tem evitado comentar o assunto. A auxiliares, no entanto, mostrou ceticismo com a possível troca e afirmou que é preciso aguardar "com calma" para ver a decisão do presidente.

No início da tarde, Bolsonaro assinou o termo de posse de Marcelo Queiroga no lugar de Pazuello. Um pouco depois, o Diário Oficial da União trouxe a nomeação de Queiroga e a exoneração de Pazuello.

PUBLICIDADE

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL