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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Pazuello pode agora ganhar PPI e esvaziar poder de Paulo Guedes

O ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, pode assumir o comando do PPI (Programa de Parcerias e Investimentos) - Pedro Ladeira/Folhapress
O ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, pode assumir o comando do PPI (Programa de Parcerias e Investimentos) Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

23/03/2021 09h52Atualizada em 23/03/2021 15h17

Há no Palácio do Planalto mais uma tese sobre o futuro do general Eduardo Pazuello, que estava no comando do ministério da Saúde, mas já demissionário.

Depois de pensar em alterar normas que regem as promoções das Forças Armadas, para tentar dar uma 4ª estrela a que Pazuello não tem direito, o presidente Jair Bolsonaro chegou a discutir a criação de um do Ministério da Amazônia para abrigar o general.

Agora, no entanto, segundo três auxiliares que despacham no Planalto, a tendência do momento é que o ministro demissionário fique com o comando do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI), que hoje é chefiado por Martha Seillier e é subordinado ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

Caso a mudança seja concretizada, o PPI deixaria o ministério da Economia e voltaria ao Palácio do Planalto, com o ministro Onyx Lorenzoni (Secretaria-Geral) à frente.

A mudança esvaziaria o poder de Guedes, já que a pasta foi para a Economia para tentar acelerar as privatizações, o que ainda não aconteceu.

No início da tarde, Bolsonaro assinou o termo de posse de Marcelo Queiroga no lugar de Pazuello. Sem cerimônia e fora da agenda, a assinatura, que incluiu a exoneração de Pazuello, foi publicada nesta tarde no Diário Oficial da União.

Mas e o foro privilegiado?

Auxiliares que confirmaram a informação para a coluna disseram que a preocupação com o foro privilegiado do ainda ministro nunca teria sido uma condicionante para abrigar o general.

A justificativa seria apenas dar uma saída honrosa para o ministro que sempre obedeceu às ordens do presidente. Apesar disso, caso o presidente queira ainda dar o benefício a Pazuello, ele poderia transformar o PPI em um ministério. A solução, no entanto, deve ter reações negativas do centrão e ser uma jogada arriscada politicamente para Bolsonaro.

O retorno de Pazuello ao Exército, já que ele ainda está na ativa, enfrentou resistência entre os militares e Bolsonaro então decidiu que quer arranjar um lugar para o ministro possa continuar no governo.

Pazuello é investigado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por conta da sua conduta em meio à pandemia de covid-19. Apesar disso, segundo um assessor palaciano, as críticas de Pazuello em relação ao comando da Saúde seriam justificadas mais por problemas de comunicação e falhas na gestão. "Não houve crime nenhum", disse a fonte.