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Carla Araújo

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Exercício militar no Planalto cria constrangimento e desgaste às Forças

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

09/08/2021 19h27

Generais têm reforçado nos bastidores que "não há blindados do Exército" na atividade prevista para acontecer nesta terça-feira (10) em Brasília.

Amanhã, às 8h30, "veículos blindados, armamentos e outros meios da Força de Fuzileiros da Esquadra" irão estacionar em frente ao Palácio do Planalto para que o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Defesa, general Braga Netto, recebam "convites para comparecerem à Demonstração Operativa, que ocorrerá no dia 16 de agosto, no Campo de Instrução de Formosa (CIF)". A mensagem foi compartilhada pela assessoria de imprensa da Marinha.

A informação do exercício militar em frente ao Planalto, que foi publicada pela colunista do UOL, Thais Oyama, causou surpresa no Quartel General do Exército. Generais da ativa e da reserva ouvidos pela coluna afirmam que não há justificativa para essa entrega pessoalmente e admitem que é mais um desgaste para a imagem das Forças Armadas.

O exercício em questão, ressaltam, acontece anualmente e é programado com antecedência. Justamente por isso, generais afirmam que todo o material ligado ao Exército já está em Formosa e não haverá deslocamento para Brasília.

Generais reconhecem que o tema acaba sendo explorado politicamente e que traz novamente os militares para a pauta política, ampliando o desgaste crescente.

Até mesmo entre alguns almirantes houve constrangimento com a realização do evento, em um momento de turbulência entre os poderes e com o presidente Bolsonaro ampliando seu discurso de que pode agir "fora das linhas da Constituição", ou seja, dar um golpe.

Exército não vai cumprir ordem ilegal, dizem generais do Alto Comando

Não há entre os militares do Alto Comando do Exército e entre diversos generais da reserva ouvidos pela coluna uma resposta para a pergunta: "O que o presidente Jair Bolsonaro pode fazer quando ele diz que pode ultrapassar as linhas da Constituição?".

O que há entre os fardados que detêm o domínio das tropas hoje resume-se em uma afirmação: "O Exército não vai cumprir ordem ilegal", disseram.

Fechamento do Congresso? Fechamento do STF?

As duas medidas esdrúxulas para uma democracia são ilegais e não terão respaldo das Forças Armadas.

De acordo com um general do Alto Comando não há o risco de uma ruptura com o apoio dos militares. "Não acredito nem que o presidente desse uma ordem dessas. E se porventura o fizesse ela não seria cumprida, pois é ilegal", afirmou.

Risco de levante popular

Apesar de descartarem um golpe, os membros do Alto Comando acreditam que a depender do resultado eleitoral e de como a população estará satisfeita com o uso da urnas eletrônicas pode ser que haja uma repercussão nas ruas e até mesmo uma repetição do que aconteceu nos Estados Unidos, com a invasão do Capitólio.

Um ponto de atenção, segundo um militar de alta patente ouvido pela coluna, é que em caso de desordem o presidente pode vir a decretar ações de GLOs (garantia da lei e da ordem) e que ai sim as Forças Armadas teriam que atuar em caso de conflito popular.

Apesar disso, a avaliação da maioria dos militares, é de que os tempos são outros e que não há espaço para uma ruptura institucional e muito menos de um golpe.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL