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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Caixa deveria alertar sobre endividamento, e não celebrar crédito, diz Idec

Crise financeira dívidas orçamento familiar dinheiro investimento endividado inadimplência - Damir Khabirov/iStock
Crise financeira dívidas orçamento familiar dinheiro investimento endividado inadimplência Imagem: Damir Khabirov/iStock
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

28/09/2021 11h05

A Caixa Econômica Federal usou as celebrações alusivas aos 1.000 dias de governo do presidente Jair Bolsonaro para anunciar uma linha de crédito pessoal que visa atender uma parcela dos brasileiros vulneráveis e que foram bancarizados graças ao auxílio emergencial.

Para o advogado e pesquisador da área de Serviços Financeiros do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa ao Consumidor, Fábio Pasin, "o tom festivo do anúncio" gera uma preocupação com um possível endividamento dos brasileiros.

"O anúncio deveria ser feito em um tom mais responsável. Um dos principais problemas que identificamos em medidas como essas é que ao oferecer crédito os bancos colaboram para que a gente tenha quadro de 60 milhões de brasileiros endividados, sendo metade, 30 milhões de pessoas, de superendividados", disse à coluna.

Pasin afirma ainda que o oferecimento de crédito, sem medidas de educação financeira, é ainda mais preocupante em um cenário de crise econômica como o atual.

Também em entrevista à coluna, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, falou que a intenção do banco não é emprestar para quem não pode pagar, mas sim livrar uma parcela da população brasileira das mãos de agiotas, que cobram juros abusivos.

O que ficar atento

O pesquisador do Idec afirma que o consumidor deve ficar atento a alguns pontos antes de tomar o empréstimo, como saber exatamente quanto vai pagar pelo crédito.

"É obrigação da instituição financeira informar qual o valor final que será pago", afirma.

Pasin diz ainda que o consumidor precisa conhecer o seu orçamento doméstico, saber o quanto ele necessita para pagar as contas e sempre colocar nos cálculos uma parcela destinada a "imprevistos".

"No planejamento é preciso saber se no período do crédito contratado o consumidor vai conseguir arcar com a dívida", diz.

O advogado diz também que é, além do consumidor, a Caixa precisa ser cautelosa na sua avaliação de risco. "O banco não pode oferecer crédito sabendo que o consumidor vai comprometer seus gastos mínimos", afirma.

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