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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

PEC dos precatórios passa na Câmara, e Senado 'testará' Ciro, prevê governo

Flavia Arruda, João Roma, Ciro Nogueira, Pacheco, Lira e Guedes - reprodução/redes sociais
Flavia Arruda, João Roma, Ciro Nogueira, Pacheco, Lira e Guedes Imagem: reprodução/redes sociais
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

DO UOL, em Brasília

26/10/2021 18h12

O adiamento da votação da PEC dos Precatórios pelo Plenário da Câmara nesta terça-feira (26), que possibilitará o aumento do Auxílio Brasil para R$ 400 e vai furar o teto de gastos, não está sendo visto com preocupação pelo Palácio do Planalto.

A avaliação até o momento é que mesmo com a perda de votos de parte da oposição ainda há uma margem para obter os 308 votos necessários. Além disso, auxiliares do presidente Jair Bolsonaro destacam que é normal o trâmite de debater a matéria num dia e votar no outro.

A articulação do governo trabalha junto com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para que o texto seja votado ainda nesta semana.

Segundo uma fonte que acompanha as negociações, "não está um placar muito folgado, mas passa".

O 'compromisso' Pacheco

Fontes do governo reconhecem, porém, que a batalha para aprovar a matéria no Senado será bem maior.

Apesar disso, usam o argumento de contar com o "compromisso" feito pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que, na semana passada, teve um encontro com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e com o relator da PEC na Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para conhecer a solução proposta e teria dado aval ao texto que Motta apresentaria.

Depois dessa reunião, que teve também a participação do ministro da Cidadania, João Roma, o presidente do Senado, em entrevista coletiva, afirmou que, assim que a PEC fosse aprovada pela Câmara, os senadores iriam avaliar a medida "com o máximo de pressa possível", para poder dar uma solução definitiva para o programa social.

É a hora de Ciro mostrar força

A principal aposta de Bolsonaro e Guedes para resolver qualquer tipo de impasse com Pacheco, que é apontado cada vez mais como possível adversário do presidente em 2022, tem um nome: Ciro Nogueira, o ministro da Casa Civil que é senador.

Conforme mostrou o jornal Folha de S. Paulo, há quase três meses no cargo, o ministro não tem conseguido melhorar a relação de Bolsonaro com o Senado.

Agora, no entanto, a expectativa do Planalto é de que Ciro finalmente terá sucesso. O argumento é de que o ministro está diretamente envolvido com a solução criada para que o Auxilio Brasil seja turbinado por meio da PEC dos Precatórios.

Ele foi, ao lado de Roma e da ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, um dos principais articuladores da medida. As negociações que aconteceram na semana passada, inclusive, deixaram o ministro da Economia isolado e fragilizado.

Guedes acabou sofrendo uma debandada em sua equipe que não quis ceder aos rompantes populistas da ala política e nem furar o teto de gastos. Agora, no entanto, fontes do governo garantem que o clima na equipe está se acertando e que Guedes, que ganhou afagos públicos do presidente nos últimos dias, está firme no cargo.

Uma fonte do governo que participa das negociações com o Congresso diz que o momento "é de política pura" e que a situação pode ser um teste para o ministro Ciro mostrar sua força política.

A avaliação que está sendo feita por fontes do Executivo é de que mesmo que senadores queiram "vender dificuldades" eles - também políticos de olho na reeleição - acabarão cedendo e votando para aprovar a PEC, que tem como objetivo inicial postergar os pagamentos de dívidas já reconhecidas pela Justiça para 2023, ou seja, para o próximo governo.

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