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De olho no voto feminino, Bolsonaro lança programa econômico para mulheres

Jair Bolsonaro tem sido aconselhado a tentar reduzir a resistência do público feminino - Cleber Caetano/Presidência da República
Jair Bolsonaro tem sido aconselhado a tentar reduzir a resistência do público feminino Imagem: Cleber Caetano/Presidência da República
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

04/03/2022 11h46

De olho na campanha à reeleição, o presidente Jair Bolsonaro (PL) planeja uma série de anúncios para semana que vem, no que tem sido chamado entre membros do governo de "semana ou pacote de bondades". Além de apresentar novos programas de crédito, a ideia é aproveitar o Dia Internacional da Mulher, na próxima terça-feira (8), para lançar um programa voltado para o público feminino, batizado de 'Brasil para Elas'.

Pesquisas do PL mostraram que o presidente tem dificuldades no eleitorado feminino e auxiliares têm incentivado que Bolsonaro adeque o discurso para conseguir um espaço maior entre elas, já que hoje as mulheres representam mais de 52% do eleitorado, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O ministro da Economia, Paulo Guedes, tem prometido que vai entregar ao presidente a partir da semana que vem uma "agenda diária de boas notícias". Outros ministros, principalmente aqueles da ala política, também estão com a missão de criar agendas positivas.

O Salão Nobre do Palácio do Planalto está sendo preparado para que o número de cerimônia oficiais até abril seja alto. Depois deste prazo, por conta da lei eleitoral, Bolsonaro terá que adequar as medidas e os anúncios do governo às restrições determinadas pela Justiça.

A pauta é global

O desenho do 'Brasil para Elas' está a cargo da Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia, que, desde fevereiro, é comandada por Daniella Marques, ex-sócia do ministro Guedes e que ganhou espaço e confiança do presidente Bolsonaro.

A pupila de Guedes tem feito reuniões com organizações ligadas à pauta feminina e criou um grupo de trabalho na secretaria para elaborar o programa. Um comitê será oficializado por meio de um decreto presidencial com o objetivo de trazer o tema para o centro da política pública brasileira.

No ministério, o tema é tratado como algo além dos eventuais ganhos eleitorais. O cenário levantado pela pasta traz números que demonstram a importância global do papel das mulheres no empreendedorismo e no desenvolvimento social.

São as mulheres, por exemplo, as responsáveis por 80% da decisão de compra de uma casa. Mesmo com a pandemia, e com jornadas duplas ou triplas, calcula-se que cerca de 4 milhões de mulheres brasileiras passaram a empreender.

Estimativas do ministério da Economia contabilizam atualmente mais de 30 milhões de brasileiras empreendedoras e as projeções de quanto esse universo pode crescer são otimistas.

O objetivo do 'Brasil para Elas' será criar uma "estratégia nacional do empreendedorismo feminino". Apesar disso, fontes do governo salientam que o programa será um "passo inicial" que pode ajudar numa transformação cultural e social do país.

Para isso, o programa vai prever cursos de capacitação em parceria com entidades como Sebrae e ofertará crédito assistido, com campanhas de incentivo para encorajar o público feminino. A avaliação feita é que hoje ainda há uma cultura de preconceito que faz com que mulheres sintam-se constrangidas de buscar crédito para investimentos.

O foco é contribuir para que mulheres, inclusive as de baixa renda, possam se tornar micro e pequenas empresárias. Para isso, além da atuação do governo em si, a expectativa é contar com o apoio do setor privado e de uma rede de mais de 300 associações suprapartidárias.

Mulheres e a pandemia

Entre as medidas adotadas pelo governo durante a pandemia a única exclusivamente direcionada às mulheres foi o duplo benefício do auxílio emergencial para mães solo.

Dados do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) apontaram já no início do ano passado que dos cinco setores econômicos com maior redução proporcional de postos de trabalho ao longo da pandemia, três foram majoritariamente femininos. O resultado tem sido uma taxa de desemprego e inatividade maior entre as mulheres, especialmente entre as mulheres negras.

Além disso, estudos realizados desde o início da pandemia apontam que as mulheres foram as mais impactadas emocionalmente, respondendo a maior parte dos casos de depressão, ansiedade e estresse.

Ainda há carências básicas

Apesar de o presidente Bolsonaro tentar criar uma política de olho no eleitorado feminino, o veto do presidente ao programa de distribuição gratuita de absorventes ainda repercute negativamente, principalmente no público feminino, e mostra que o governo tem problemas básicos na assistência às mulheres.

No fim do ano passado, o Congresso adiou para este ano a análise do veto. O projeto de lei que cria o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual tem um custo estimado de R$ 84,5 milhões ao ano e prevê a distribuição de absorventes a 5,6 milhões de mulheres.

Conforme mostrou o UOL com exclusividade, uma pesquisa feita pelo Espro (Ensino Social Profissionalizante), organização que oferece capacitação para jovens em busca do primeiro emprego, e a Inciclo, marca de coletores menstruais, ao menos 20% de jovens de 14 a 24 anos que menstruam já deixaram de ir à escola por não terem absorvente. Entre pessoas pretas com renda de até dois salários mínimos, o número sobe para 24%.