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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Exército faz evento restrito para a troca do comando, mas espera Bolsonaro

13 jan. 2022 - Presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), comandante do Exército, general Paulo Sérgio, e chefe do Estado-Maior da força, general Amaro, em encontro no Palácio da Alvorada, em Brasília - Divulgação/CCOMSEx
13 jan. 2022 - Presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), comandante do Exército, general Paulo Sérgio, e chefe do Estado-Maior da força, general Amaro, em encontro no Palácio da Alvorada, em Brasília Imagem: Divulgação/CCOMSEx
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

30/03/2022 14h56Atualizada em 30/03/2022 17h50

Apenas um ano depois de uma das maiores crises envolvendo as Forças Armadas, com o presidente Jair Bolsonaro (PL) trocando o comando de Exército, Marinha e Aeronáutica, a nova dança das cadeiras no Exército acontece em um clima mais "tranquilo", nas palavras de militares ouvidos pela coluna.

Os preparativos para a troca de comando do Exército estão sendo realizados de forma discreta e sem alarde. Fontes da caserna afirmam, porém, que já está definido que o atual comandante, general Paulo Sérgio, passará o cargo para o general Marco Antônio Freire Gomes, nesta quinta-feira (31) — dia que marca os 58 anos do golpe que instaurou a ditadura militar no Brasil (1964 a 1985).

O evento será no Clube do Exército, no Lago Sul, em Brasília, às 17h, e o presidente Bolsonaro é esperado pelos militares. A transmissão de cargo, a princípio, será fechada à imprensa.

Aproximação na Rússia

Freire Gomes é um general quatro estrelas (topo da carreira), foi instrutor da Aman (Academia Militar das Agulhas Negras) e é bastante respeitado pelos pares. Além disso, cumpre o critério de antiguidade previsto para a escolha de um Comandante. Ele conquistou a simpatia de Bolsonaro, segundo auxiliares, durante a viagem à Rússia em fevereiro.

Assim como outros colegas militares — os ministros Augusto Heleno (GSI), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral da Presidência) e Braga Netto (Defesa) —, Freire Gomes integrou a comitiva presidencial na viagem à Rússia, em fevereiro, dias antes da invasão da Ucrânia pelas forças militares russas.

Um colega de patente destaca que o perfil de Freire Gome é similar ao de Paulo Sérgio. "Os dois têm uma carreira de comprovado profissionalismo, com ponderação e controle. Eles possuem liderança junto à tropa e operacionalidade", afirmou um general da ativa.

Freire Gomes já era uma das opções de Bolsonaro no ano passado, quando o presidente tinha desconfianças em relação a declarações de Paulo Sérgio no combate a pandemia.

Na época, o clima político estava tensionado, Bolsonaro flertava com um possível golpe e fazia declarações polêmicas, como uma suposta facilidade de impor uma ditadura no país.

Durante a sua gestão, Paulo Sérgio se aproximou do presidente e, ao ganhar a confiança de Bolsonaro, acabou recebendo o convite para assumir o Ministério da Defesa.

Defesa também terá posse fechada

Apontado como o atual vice na chapa de Bolsonaro, Braga Netto deixará o comando da Defesa amanhã (31), em uma cerimônia com os demais ministros que também entregarão o cargo por conta das restrições eleitorais.

Já a transmissão do cargo para Paulo Sergio só deve acontecer na sexta-feira (1º), à tarde, num evento na própria pasta, também fechado à imprensa.