PUBLICIDADE
IPCA
-0,68 Jul.2022
Topo

Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Lira vai pressionar Cade para agir contra a política de preços da Petrobras

Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, é contra política de preços da Petrobras e distribuição de dividendos a acionistas - Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados
Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, é contra política de preços da Petrobras e distribuição de dividendos a acionistas Imagem: Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

e Camila Turtelli, do UOL, em Brasília

07/06/2022 08h50

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), tem sinalizado nos bastidores que pretende intensificar a pressão para que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) atue contra o que ele tem chamado de "monopólio nu e cru da Petrobras".

A interlocutores, Lira afirmou que vai "começar a tacar fogo no Cade", com convocações de membros do órgão para explicar as razões de o órgão antitruste não tomar uma postura mais incisiva contra a atual política de preços da estatal.

Segundo apurou a coluna, Lira já conversou com o atual presidente do Cade, Alexandre Cordeiro, sobre a ideia de pressionar o Cade a tomar alguma decisão nas investigações sobre a Petrobras que estão em curso no órgão.

Cordeiro assumiu a presidência do Cade em julho de 2021, quando o presidente Bolsonaro teve que fazer a aliança com o Centrão, e é apontado como apadrinhado do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, aliado de Lira.

Lira tem dito a aliados que vê uma postura mais favorável do Cade sob a presidência de Cordeiro, mas que ainda é preciso que o órgão justifique as razões de não atacar o monopólio da estatal. "Falta coragem ao Cade", tem dito Lira a aliados.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, em meados de maio, o superintendente-geral do Cade , Alexandre Barreto, disse que não há mágica a ser feita pelo órgão sobre a política de preços da Petrobras.

Ataques a Petrobras

Lira deve manter suas críticas em relação ao comando do Petrobras e, segundo auxiliares, deve reforçar o discurso de que a estatal não tem função social e visão de país.

O presidente da Câmara é a favor da diminuição da distribuição de dividendos aos acionistas e defende o uso desse recurso para subsidiar o preço dos combustíveis. Lira quer avançar com um projeto para vender ações da Petrobras. Um caminho que o governo deixe de ser o acionista majoritário.

Em março, após um reajuste de até 25% nos preços dos combustíveis, Lira criticou a "insensibilidade" da Petrobras e disse que o aumento era um "tapa na cara dos brasileiros".