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Carla Araújo

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Bolsonaro demite ministro em busca de discurso eleitoral

Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia, deixou o cargo nesta quarta-feira (11) - Ian Cheibub/Reuters
Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia, deixou o cargo nesta quarta-feira (11) Imagem: Ian Cheibub/Reuters
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

11/05/2022 09h01

As reclamações por conta dos seguidos aumentos nos preços de combustíveis já vinham irritando o presidente Jair Bolsonaro (PL) há um bom tempo. Diante das amarras legais e da impossibilidade em adotar medidas que seriam uma clara interferência na estatal, agora, o presidente tenta "jogar para a plateia" com a demissão do almirante Bento Albuquerque do Ministério de Minas e Energia, claramente pensando em seu discurso eleitoral.

Para o lugar do Almirante, Bolsonaro escalou o ex-assessor de Paulo Guedes Adolfo Sachsida, que vinha ganhando a confiança do presidente e terá a difícil missão de encontrar soluções para o problema dos combustíveis.

Guedes é completamente contra a adoção de subsídios para baixar os preços da gasolina, por exemplo. O próprio Sashsida disse recentemente que esse tipo de política pode ter "boa intenção, mas com resultado ruim".

As recentes discussões sobre o tema, que foram comandadas pelo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, mostraram que pouco pode ser feito para mudar a política de preços, sem que haja consequências econômicas ainda maiores. Desde o ano passado, Ciro tem defendido o uso de subsídios e dividendos da empresa para amenizar os preços, mas não consegue tirar as medidas do papel.

Ontem mesmo, ainda no cargo, Bento Albuquerque confirmou que o presidente queria soluções para atender demandas dos caminhoneiros, mas admitiu que o governo não havia chegado a nenhuma solução, pois as medidas estavam sendo analisadas "no aspecto técnico e jurídico".

Lealdade e pressão

Albuquerque, que estava no cargo desde o início do governo, sempre foi considerado um ministro "leal e técnico". Apesar disso, vinha sofrendo pressão do presidente para que algo fosse feito para baixar os preços.

Na última quinta-feira (5), durante sua live semanal, bastante irritado Bolsonaro pediu ao novo presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, e a Albuquerque, para que não houvesse novos aumentos nos preços dos combustíveis. E fez um apelo para que a estatal reduzisse seu lucro, que considerou "absurdo" e "um estupro".

Em março, em entrevista à coluna, quando o então presidente general Joaquim Silva e Luna estava em processo de fritura, Bento Albuquerque afirmou que Bolsonaro sabia que "nós não temos instrumentos para interferir na Petrobras".

Na ocasião, Bento - que possui uma relação de amizade com general da Silva e Luna - defendeu a permanência no general no cargo, mas ressaltou que Bolsonaro costumava repetir que só há dois cargos insubstituíveis no governo, o dele e o do vice-presidente, e que o resto da equipe "é substituível". "A saída de qualquer um é uma possibilidade. De qualquer empresa, de qualquer ministério", disse Bento, em março.

Esta foi a terceira demissão no governo após um aumento no preço dos combustíveis. Antes, Bolsonaro havia trocado o comando da Petrobras.