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Carla Araújo

REPORTAGEM

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Em posse de ministros, Bolsonaro pede que eles sejam fortes e não negociem

31 de mar. 2022 - Presidente Jair Bolsonaro discursa em cerimônia de despedida de ministros - Reprodução/TV Brasil
31 de mar. 2022 - Presidente Jair Bolsonaro discursa em cerimônia de despedida de ministros Imagem: Reprodução/TV Brasil
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

31/03/2022 15h55

Em um discurso com mais de trinta minutos de duração, o presidente Jair Bolsonaro (PL), pouco falou dos novos titulares dos ministérios, que assumiram os cargos nesta quinta-feira (31) por conta da saída dos antecessores, que serão candidatos nas eleições de outubro.

O presidente deixou claro que seus auxiliares puderam escolher os sucessores e que ele apenas interferiu no caso da escolha do seu chefe de gabinete, Célio Faria Junior, que assumiu a Secretaria de Governo (Segov) no lugar de Flávia Arruda.

"À exceção da Segov, que é um ministro palaciano, todos os que estão alçados a situação de ministro foram indicados pelos seus respectivos titulares", disse o presidente.

Célio, que integra o núcleo mais próximo do presidente, comandará a partir de agora a pasta que cuida da articulação com o Congresso e que é responsável pelas cobiçadas emendas parlamentares. A informação havia sido antecipada no podcast do UOL, Radar das Eleições.

De forma indireta, o presidente admitiu que havia o apetite de aliados do Centrão para tentar ocupar as pastas. "Alguns obviamente tentaram mudar isso ai e eu não aceitei", disse.

Ele afirmou ainda que repetiu o discurso que fez para os seus primeiros ministros, falou em "carta branca" e "poder de veto". Desde que assumiu, em 2019, Bolsonaro fez 28 trocas de ministros e alguns viraram desafetos, como Sergio Moro.

Na semana que se viu obrigado a demitir Milton Ribeiro do Ministério da Educação (MEC), por suspeitas de corrupção na pasta, o presidente afirmou aos novos ministros que eles são "olhados com lupa", que têm "uma tremenda responsabilidade" e que adversários tentam transformar "gotas d'água em tsunami".

"Sejam fortes, não aceitem 'piruadas' de quem quer que seja. Todos os cargos são de vocês. Não negociem. Façam o que têm que fazer. Sigam o exemplo de quem vocês pegaram o Ministério agora", afirmou o presidente.

No caso da crise do MEC, a gota d´água foi um áudio revelado pelo jornal Folha de S.Paulo em que Ribeiro afirma que o governo federal prioriza a liberação de verbas a prefeituras ligadas a dois pastores. "Foi um pedido especial que o Presidente da República [Jair Bolsonaro] fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar [Santos]", diz o ex-ministro na gravação. Antes da divulgação da conversa, o jornal O Estado de S. Paulo havia revelado que a dupla de pastores lidera um gabinete paralelo no MEC.

O atual ministro interino da Educação, Victor Godoy Veiga, não participou da cerimônia desta quinta-feira. O jornal Folha de S.Paulo revelou que ele, que era o secretário-executivo de Milton Ribeiro, já esteve com os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura em eventos no MEC.

A princípio, auxiliares do presidente, dizem que Godoy ficará no comando da pasta. A ideia é que Bolsonaro segure o apetite do Centrão pela vaga e arrefeça os danos do escândalo do MEC.

Quem sai e quem entra

O agora ex-ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que é pré-candidato ao governo de São Paulo, escolheu para substituí-lo Marcelo Sampaio, que era o número 2 da pasta para assumir a pasta.

O novo ministro é engenheiro e analista do Ministério da Economia. Sampaio tem proximidade com integrantes do governo, inclusive é genro do atual ministro da Secretaria-Geral, Luiz Eduardo Ramos.

Outra que optou em escolher o secretário-executivo foi a então ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que era deputada licenciada e deve concorrer ao Senado pelo Mato Grosso do Sul.

Assumiu a pasta da Agricultura o ex-deputado e ex-prefeito de Uberaba (MG), Marcos Montes, que assim como Tereza possui ligação forte com o agronegócio.

Rogério Marinho, que deixou o Ministério do Desenvolvimento Regional para concorrer a uma vaga ao Senado pelo Rio Grande do Norte, também deixou na pasta o seu número 2, Daniel de Oliveira Duarte Ferreira. O novo ministro do MDR é engenheiro civil com especialização em gestão pública e analisa de infraestrutura.

Outros ministros acabaram escolhendo colegas que já estavam nas pastas ou em áreas ligadas. É o caso de Gilson Machado que deixou o Turismo nas mãos do ex-presidente da Embratur, Carlos Brito.

Já João Roma, que ainda avalia se irá mesmo concorrer ao governo da Bahia, já que p cenário estadual é bem complexo, acabou deixando o Ministério da Cidadania nas mãos de Ronaldo Vieira Bento, que chefiava a assessoria de Assuntos Estratégicos do ministério.

Ainda sem definição sobre qual será seu rumo político, a ministra Damares Alves escolheu para o seu lugar no Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) a agora única mulher do governo Bolsonaro: Cristiane Britto, que era secretária nacional de Políticas para as Mulheres.

Marcos Pontes, que cuidava da Ciência e Tecnologia e deve disputar uma vaga na Câmara por São Paulo, escolheu para o seu lugar também um antigo auxiliar. Assumiu a pasta nesta quinta Paulo Alvim, que era secretário de Empreendedorismo e Inovação do ministério.

Por fim, um dos mais antigos aliados do presidente, o agora ex-ministro Onyx Lorenzoni deixou o Ministério do Trabalho e Previdência para o ex-presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), José Carlos Oliveira.

Onyx retoma seu mandato na Câmara dos Deputados e é pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul.

Troca na Defesa e no Exército

Apontado como o atual candidato a vice na chapa de reeleição de Jair Bolsonaro (PL), o general Walter Braga Netto também foi exonerado do cargo nesta quinta-feira (31). Apesar de estar na cerimônia pela manhã no Planalto, o militar não participou do ato de despedida dos ministros, já que sua exoneração ainda não havia sido publicada.

Segundo apurou a coluna, como o substituto de Braga Netto seria o então Comandante do Exército, general Paulo Sérgio, os militares preferiram aguardar a cerimônia da troca do comando do Exército, que aconteceu apenas no fim da tarde.

Conforme revelou a coluna, para o lugar de Paulo Sérgio, o presidente Bolsonaro escolheu o general quatro estrelas Marco Antonio Freire Gomes.

Braga Netto fará uma última cerimônia nesta sexta-feira (1) na Defesa para transmissão de cargo a Paulo Sergio. O agora ex-titular da Defesa já está com novo cargo e será assessor especial do gabinete pessoal do presidente.