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Empregos e carreiras

Ele presidiu a Azul, ficou paraplégico, mudou carreira e agora dá palestras

"Estude o que te emociona de forma quase íntima", diz Pedro Janot - Divulgação
"Estude o que te emociona de forma quase íntima", diz Pedro Janot Imagem: Divulgação

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

22/04/2021 04h00

"Encontrar algo que dê fome" é o passo mais importante para quem está no mercado de trabalho, seja começando a carreira ou já com alguns anos de caminhada, diz Pedro Janot, 61, ex-presidente da Azul Linhas Aéreas.

O executivo, responsável pela vinda da Zara ao Brasil e com passagens por Lojas Americanas, Pão de Açúcar, Richards e Mesbla, ficou paraplégico após sofrer um acidente quando andava a cavalo, em 2011, e decidiu mudar sua carreira. Desacelerou o ritmo e passou a ser conselheiro de empresas e palestrante.

"Seja com uma bicicleta ou com um Porsche", fazer o que gosta é o passo número um para encontrar o sucesso que cada um deseja, diz Janot em seu novo livro, "A vida é tudo o que você faz com ela" (ed. Gente). Para ele, o que define o grau de satisfação não são os bens materiais, e sim o nível de ambição e o propósito de cada um.

O próximo passo, segundo ele, é se dedicar aos estudos, indo além do que o curso oferece na faculdade.

'Estude o que te emociona'

Veja quatro conselhos de carreira de Janot:

  1. Estude o que te emociona de forma quase íntima;
  2. Aprofunde-se nessa área de interesse, procure pessoas para conversar. Se o amor não bater, busque outra área;
  3. O sucesso é relativo. Não quer trabalhar 14 horas por dia em um escritório? Defina o que você quer e aonde quer chegar;
  4. Com lápis e papel, escreva: quem é você, se é feliz, o que quer fazer.

Chamado de catarse, o método de escrever um questionário sobre si mesmo serve para organizar os pensamentos, segundo o executivo.

Ele diz que usa o método desde que praticava barco a vela e participava de campeonatos. Anotava o que acontecia durante os treinos e provas como forma de entender melhor os resultados.

Quando você põe os dados na mesa, reconhece seus erros e acertos e, assim, dá um salto. À medida que faz esses registros, você desenvolve autoconhecimento, o que permite ter uma noção mais precisa do que está buscando.
Pedro Janot, ex-presidente da Azul

Ele diz que carrega para a vida um ensinamento de seu pai: "O que vem fácil vai embora fácil. Uma conquista só tem valor se ela te custar esforço", diz.

Mesbla, Zara e Azul

Janot teve a primeira experiência como gestor na Mesbla, uma das pioneiras lojas de departamento do país, nas décadas de 1970 e 1980. Passou pelas Lojas Americanas e pela Richards e então foi contratado para dar início ao projeto da Zara no Brasil.

Da Zara, foi para o Pão de Açúcar, onde diz que o ambiente era "hostil". "Meu relógio [biológico] dizia para eu não ir, mas eu queria. Nessa altura, já buscava desafios maiores", afirma.

Em 2008, depois de quatro meses desempregado, foi chamado para ser presidente da Azul Linhas Aéreas, logo após a criação da companhia.

Acidente o deixou paralisado

De folga em Joanópolis (SP), em 2011, Janot sofreu um desmaio enquanto andava a cavalo. Na queda, teve uma lesão na medula e passou 45 dias internado. Aos 52 anos, ficou tetraplégico, com os quatro membros paralisados. Conseguir voltar a movimentar um pouco os braços após tratamentos, ainda que de forma limitada.

Um tempo depois do acidente, decidiu sair da Azul.

Demorei dois anos para entender onde eu estava. No primeiro ano após o acidente, ainda trabalhei [na Azul]. Em 2012, ouvi da minha equipe que estava difícil trabalhar comigo. Eu estava lento, e a empresa tinha seu modus operandi. Foi no lançamento do meu primeiro livro, em 2014, que comecei a ser o que eu poderia ser: conselheiro de empresas e palestrante.
Pedro Janot, ex-presidente da Azul

Janot também é mentor da Endeavor, que apoia empreendedores, e sócio de uma startup de fundos de investimentos. Ele fala de liderança e empreendedorismo em um canal no YouTube.

"Neste momento em que faço todas essas coisas, continuo respondendo o questionário proposto pelo método catarse. É como oxigênio para minha trajetória", diz.

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