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IBGE: desemprego cai para 12,1%, mas ainda atinge 12,9 milhões de pessoas

Do UOL, em São Paulo

28/12/2021 09h17Atualizada em 28/12/2021 14h58

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 12,1% no trimestre de agosto a outubro. O resultado é 1,6 ponto percentual menor do que o registrado no trimestre anterior, de maio a julho (13,7%). Na comparação com o mesmo período de 2020 (14,6%), o recuo foi maior, de 2,5 pontos percentuais.

Mesmo com a queda, o país ainda tem 12,9 milhões de pessoas desocupadas. O número é 10,4% menor do que o registrado no trimestre terminado em julho, em que 14,4 milhões de pessoas estavam nessa condição. Na comparação com o mesmo trimestre de 2020, a queda foi maior, de 11,3%. No ano passado, eram 14,6 milhões de desocupados.

Os dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (28).

Houve queda também no número de pessoas desalentadas, ou seja, que desistiram de procurar trabalho. No trimestre entre agosto e outubro de 2021, 4,5% das pessoas que estão na força de trabalho estavam nessa condição. No trimestre anterior, eram 4,8%; no mesmo período do ano passado, 5,5%.

O aumento no número de vagas foi influenciado pelo comércio. O número de ocupados no setor cresceu 6,4%, o que representa 1,1 milhão de pessoas a mais trabalhando. Já o aumento da indústria foi de 4,6%, ou mais 535 mil pessoas. No mesmo período, mais 500 mil pessoas passaram a trabalhar no segmento de alojamento e alimentação (11,0%). Na construção, houve crescimento de 6,5% na ocupação (ou 456 mil pessoas).

A conjuntura econômica do trimestre encerrado em outubro é muito diferente da do mesmo período do ano passado. A recuperação já mostra um cenário muito mais favorável para a ocupação.
Adriana Beringuy, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE

Rendimento médio do trabalhador cai 11% em um ano

Os dados do IBGE também apontam para queda na renda dos trabalhadores. Entre agosto e outubro de 2021, o rendimento médio mensal das pessoas ocupadas foi de R$ 2.449. Esse valor é 4,6% menor do que o registrado no trimestre anterior (R$ 2.566), e 11,1% mais baixo do que o do mesmo período de 2020 (R$ 2.756).

A maior queda de rendimento foi registrada para os trabalhadores que não têm carteira assinada: eles receberam 8,9% a menos na comparação com o trimestre anterior. Para quem tem carteira assinada, a redução foi de 3,6%; para empregados no setor público, de 5,8%.

Apesar de haver um crescimento significativo da ocupação, a massa de rendimento permanece estável. Isso acontece porque o rendimento do trabalhador tem sido cada vez menor --seja porque a expansão do trabalho ocorre em ocupações de menores rendimento, seja pelo avanço da inflação nos últimos meses.
Adriana Beringuy, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE

Considerando os setores da economia, houve queda no rendimento médio real dos trabalhadores em relação ao trimestre anterior nas seguintes áreas:

  • Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais: -7,1%;
  • Indústria geral: -4,1%;
  • Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas: -2.8%.

Ocupação cresce em seis das dez atividades

Ainda segundo o IBGE, comparando o trimestre encerrado em outubro com o anterior, o nível de ocupação cresceu em seis dos dez grupamentos de atividades da pesquisa:

  • Alojamento e alimentação - + 11% ou 500 mil pessoas;
  • Serviços domésticos - +7,8% ou 401 mil pessoas;
  • Outros serviços - +7,1% ou 304 mil pessoas;
  • Construção - +6,5% ou 456 mil pessoas;
  • Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas - + 6,4% ou 1,1 milhão de pessoas;
  • Indústria geral - +4,6% ou 535 mil pessoas.

Aumento no emprego com e sem carteira

O aumento na ocupação foi impactado pelo número de empregados com carteira de trabalho no setor privado, que chegou a 33,9 milhões, crescimento de 4,1% frente ao trimestre anterior. Isso significa 1,3 milhão de pessoas a mais.

"Do aumento de 3,3 milhões de pessoas na ocupação, 40% são trabalhadores com carteira assinada no setor privado. Essa recuperação do trabalho formal já vinha ocorrendo nos meses anteriores, desde o trimestre encerrado em julho. Então, embora o emprego com carteira no setor privado ainda esteja em um nível abaixo do que era antes da pandemia, vem traçando uma trajetória de crescimento", explica Beringuy.

Também no setor privado, o contingente de empregados sem carteira subiu 9,5% (ou 1 milhão de pessoas). Essa categoria, no trimestre encerrado em outubro, somava 12 milhões de trabalhadores.

No mesmo período, o número de trabalhadores domésticos sem carteira cresceu 8%, e o de empregadores sem CNPJ, 7,4%. Com isso, a taxa de informalidade chegou a 40,7%, o que corresponde a 38,2 milhões de trabalhadores informais no país.

Os trabalhadores por conta própria aumentaram em 2,6%, chegando ao contingente de 25,6 milhões. São 638 mil pessoas a mais nessa categoria.

Já o aumento dos trabalhadores domésticos foi de 7,8% também no confronto com o trimestre encerrado em julho, o que representa uma adição de 400 mil pessoas. A maior parte desse aumento também veio do trabalho informal: 308 mil foram contratados sem carteira de trabalho assinada.

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