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Analistas dão dicas que ajudam a ganhar mais dinheiro na renda fixa

Veja como ganhar mais na renda fixa, com aplicações de retorno mais previsível e menos arriscado que na Bolsa - Shutterstock
Veja como ganhar mais na renda fixa, com aplicações de retorno mais previsível e menos arriscado que na Bolsa Imagem: Shutterstock
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João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

18/04/2022 12h48Atualizada em 29/04/2022 16h41

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A maior inflação no Brasil em duas décadas levou o Banco Central a subir a taxa básica de juros (Selic) para o maior patamar desde 2017. E junto com a Selic aumentaram também os ganhos em aplicações tradicionais de renda fixa —que estão dando ao aplicador já perto de 1% ao mês, como Tesouro Selic, Fundos DI e CDBs (Certificados de Depósito Bancário) pós-fixados.

Mas esse rendimento pode ficar ainda mais interessante, segundo especialistas consultados pelo UOL, a depender dos objetivos e do apetite por risco do investidor.

Veja então como turbinar os ganhos de investimentos em renda fixa, com aplicações de retorno mais previsível e menos arriscadas que na Bolsa.

Como aumentar o rendimento na renda fixa

Para conseguir níveis de rendimento maiores nos investimentos de renda fixa, o investidor terá que buscar uma dessas duas estratégias, ou combinar as duas coisas ao mesmo tempo, de acordo com Luigi Wis, especialista em investimentos da Genial Investimentos.

1. Alongar o prazo: aplicações com vencimentos mais longos costumam pagar rendimentos maiores que as aplicações de curto prazo, como regra geral.

2. Maior risco de crédito: aplicações em títulos emitidos por bancos ou empresas pagam taxas maiores que as oferecidas pelos títulos do governo vendidas no Tesouro Direto. Isso porque o risco de uma companhia ou instituição financeira deixar de honrar o pagamento é maior que a possibilidade de o governo dar um calote.

Comparando prazos e risco de crédito

Confira exemplos de rendimento de algumas aplicações, conforme diferentes prazos e risco de crédito, ou seja, de acordo com quem emite os títulos.

Títulos do governo (fonte: Tesouro Direto)

  • Tesouro Selic: 11,75% ao ano
  • Tesouro prefixado 2025: 12,09%
  • Tesouro IPCA 2026: IPCA + 5,39% (16,4% pela inflação atual)
  • Tesouro IPCA 2035: IPCA + 5,60% (16,6% pela inflação atual)

Títulos privados (fonte: plataforma da App Renda Fixa)

  • CDB pós fixado liquidez diária: até 9%
  • CDB prefixado até 1 ano: 11,8%
  • CDB prefixado de 3 anos: até 18,5%
  • CRI 2028 sem classificação de risco: IPCA + 5,65% (16,7%)

Melhores opções neste momento

Profissionais consultados pelo UOL afirmam que atualmente as melhores opções da renda fixa prefixada são aquelas com prazos de vencimento intermediário. Isto é, que possibilitam o resgate do dinheiro entre dois e quatro anos.

As taxas de juros oferecidas por esses títulos são melhores que as praticadas pelos ativos com prazos mais curtos.

Head de renda fixa da XP Investimentos, Camilla Dolle afirma que, para investimentos de prazos um pouco mais longos, a casa de análise continua "preferindo ativos indexados à inflação, possibilitando ganhos reais acima do IPCA [índice usado como medidor oficial da inflação]".

Além disso, eles declaram que a rentabilidade atualmente oferecida por opções de mais longo prazo, acima de quatro anos, não justificam os riscos assumidos a mais —porque há incertezas econômicas que podem alterar as projeções feitas pelos mercados.

Ronaldo Guimarães, sócio-diretor do banco Modal, declara que há operações de dois a quatro anos com rentabilidade bastante interessante. Portanto, "olhando para o médio e longo prazos, talvez não valha ir muito além disso, por causa de incertezas nas eleições, da guerra e dos aumentos de juros no exterior". Wis concorda.

Considerando as incertezas que historicamente existem no Brasil e, em anos de eleições de governo, que podem levar a alterações de políticas econômicas, a gente vê prazos intermediários como um ponto ótimo.
Luigi Wis, especialista em investimentos da Genial

Motivos para turbinar a renda fixa

O investidor deve buscar ganhos maiores na renda fixa mesmo em um momento de juros elevados, como o atual, porque essa é uma forma de manter rendimentos interessantes por mais tempo, conforme dizem os analistas.

Prolongamento dos ganhos

Embora o cenário para a economia seja de inflação elevada por pelo menos mais um ano, a expectativa predominante entre os economistas é a de que os preços percam fôlego ao longo de 2023.

Com a desaceleração da inflação, as taxas de juros no Brasil também começarão a recuar.

O investidor que colocar parte da carteira de investimentos em títulos de longo prazo agora, com as taxas de rendimento atualmente oferecidas, poderá então manter ganhos elevados mesmo depois que a Selic (taxa básica de juros) recuar.

Proteção contra inflação

Outra vantagem de buscar a renda fixa de prazo intermediário é proteger o capital da inflação nos próximos anos, no caso das aplicações que acompanham o IPCA, de acordo com a superintendente executiva de investimentos do Santander, Luciane Effting.

Papéis atrelados à inflação protegem o poder de compra do investidor e ajudam a preservar rendimentos, porque, no caso das aplicações pós-fixadas, como o Tesouro Selic, não tem como saber como a Selic estará daqui a cinco anos.
Luciane Effting, superintendente executiva de investimentos do Santander

4 cuidados ao buscar maior rentabilidade

O investidor precisa tomar alguns cuidados antes de procurar ganhos maiores na renda fixa, assumindo maiores riscos com prazos mais longos ou via crédito privado.

Confira abaixo algumas recomendações dos especialistas consultados pelo UOL.

1. Deixar a reserva de emergência fora dessa estratégia

As aplicações de renda fixa voltadas para reserva de emergência não devem ser usadas para turbinar ganhos. Aqui, o objetivo do investidor deve ser liquidez e segurança mais que o retorno.

Afinal, se algum imprevisto ocorrer e a pessoa tiver que resgatar o dinheiro da aplicação antes do prazo de vencimento, ela pode perder parte ou todo o rendimento.

2. Prestar atenção aos prazos

Se o investidor tiver que sacar a aplicação antes do prazo, ele vai receber o valor do ativo de acordo com as condições de mercado. Isso vale para títulos do Tesouro e para títulos privados, como CDBs (Certificados de Depósito Bancário) ou debêntures.

Quanto mais difícil for encontrar a outra ponta que aceite assumir a posição, maior será o deságio e, portanto, maior a perda de rendimento.

Para resgatar antes do prazo, o aplicador [investidor] vai depender da liquidez do ativo, que depende do mercado secundário. Então, a liquidez diária não está garantida. E tem a marcação a mercado, que pode deixar o papel valendo menos do que quando ele adquiriu.
Luciane Effting, superintendente executiva de investimentos do Santander

3. Risco de calote

Para quem busca turbinar a renda fixa aplicando em títulos emitidos por bancos ou empresas, a atenção deve ser redobrada com o risco de calote do emissor.

O investidor deve buscar informações sobre o histórico e sobre a qualidade de crédito da parte que vai ser responsável pelo pagamento do rendimento no futuro.

Para avaliar o risco do emissor no crédito privado, a pessoa pode buscar a classificação de rating, que é feita por agências. Também vale o próprio conhecimento que a pessoa tem dessas empresas, se são de grande porte, se são conhecidas.
Luigi Wis, especialista em investimentos da Genial
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4. Apoio no FGC

Segundo o profissional da Genial, uma forma de reduzir o risco em títulos privados de renda fixa é buscar opções que tenham a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), em especial quando for crédito privado de mais longo prazo.

Seriam os casos de CDBs e RDBs, letras de câmbio (LC), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).

Como investir em crédito privado

O investidor pode seguir dois caminhos para aplicar em renda fixa de crédito privado.

  1. Via fundo de investimento: o gestor escolhe e gerencia os investimentos. É a forma mais simples e mais conhecida, com fundos com mais e menos crédito privado.
  2. Comprar diretamente o papel pela empresa: é muito importante que o investidor leia o prospecto para entender os riscos atrelados à empresa --com relação, por exemplo, a risco de calote, risco do mercado e risco de câmbio, se for uma exportadora.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.