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Nem muito quente, nem muito frio: 13°C é temperatura ideal para economia

22/10/2015 18h24

Paris, 22 Out 2015 (AFP) - A produtividade econômica global atinge seu pico quando a temperatura média anual é de 13 graus Celsius, mas diminui drasticamente quando o mercúrio sobe - é o que afirma um estudo publicado nesta quinta-feira pela revista Nature.

Uma equipe de pesquisadores, liderada por Marshall Burke, da Universidade de Stanford (Califórnia) analisou os dados econômicos de 166 países durante 50 anos, entre 1960 e 2010.

Além dos 13 graus, a produtividade começa a "cair fortemente", segundo o estudo divulgado pela revista britânica.

Esta relação "não linear" entre eficácia econômica e temperatura não mudou desde 1960, vale para as atividades agrícolas e para aquelas relacionadas a outros setores da economia - o fenômeno é observado tanto em países ricos quanto pobres.

"Estes resultados fornecem a primeira evidência de que a atividade econômica em todas as regiões do mundo depende do clima", dizem os cientistas.

Até agora, esta ligação não tinha sido estabelecida no nível macro, de modo que é mais fácil observá-la no nível micro-econômico, onde é possível ver uma diminuição dos rendimentos agrícolas a partir de um certo nível de temperatura, ou uma queda na produtividade dos trabalhadores.

Os pesquisadores também se basearam em dados do passado para tentar prever o impacto econômico da mudança climática.

Se o aquecimento continuar sua dinâmica (cenário "business as usual"), o planeta pode enfrentar um aumento suplementar de mais 4,3°C até 2100 em comparação ao período pré-industrial. Isso vai causar uma queda de 23% na renda total média, de acordo com os cálculos dos pesquisadores - que apontam que as desigualdades entre países irá aumentar.

Se nada for feito, 77% dos países serão mais pobres em termos de renda per capita do que se não houvesse mudança climática.

Somente algumas regiões poderão beneficiar deste aumento das temperaturas: aquelas atualmente com um clima frio, como o Norte da Europa ou a Rússia.

Os países ricos, mas quentes, como os Estados Unidos, devem sofrer muito com o aumento das temperaturas.

Os países mais quentes, que são muitas vezes já são os mais pobres, serão "atingidos duramente", diz Thomas Sterner, do Departamento de Economia da Universidade de Gotemburgo (Suécia), em um comentário publicado na Nature.

As estimativas de Marshall Burke e sua equipe sobre as perdas econômicas causadas pelo aquecimento global "são muito mais elevadas do que as previstas pela maioria dos modelos", aponta Sterner. "Isso dá ainda mais razões para tentarmos limitar os danos a partir de hoje".

Este estudo sai a algumas semanas da importante Conferência do Clima da ONU em Paris (COP21), no início de dezembro.

A comunidade internacional tem o objetivo de limitar o aquecimento em 2° em relação ao nível de antes da Revolução Industrial, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa.