FMI mantém otimismo prudente para a zona do euro

Bruxelas, 10 Out 2017 (AFP) - A recuperação na zona do euro está melhor que o previsto, mas o peso da dívida, a inflação ainda fraca e o risco bancário podem atrapalhar a atividade econômica a médio prazo, avaliou o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em suas previsões semestrais, publicadas nesta terça-feira (10), o FMI revisou para cima sua perspectiva de crescimento na zona do euro para os próximos dois anos. O organismo aposta, agora, em uma expansão de 2,1% em 2017 e de 1,9% em 2018 - em ambos os casos, dois décimos a mais que no informe de julho.

Essas altas refletem "uma aceleração das exportações no contexto mais amplo de uma recuperação do comércio mundial", assim como uma demanda interna sólida, "respaldada por condições financeiras acomodadas" e uma "diminuição do risco político", detalha o FMI.

Em suas previsões anteriores, o Fundo se mostrava preocupado pelo então incerto resultado das eleições que foram celebradas na zona do euro em 2017, como as legislativas na Alemanha e na Holanda, ou as presidenciais na França.

A incerteza política ligada às negociações do Brexit parece pesar menos em Bruxelas do que em Londres, segundo o FMI.

Apesar de não alterar os dados de crescimento do Reino Unido para 2017(1,7%) e 2018 (1,5%), o organismo adverte que as perspectivas britânicas a médio prazo "são muito incertas e dependerão em parte da nova relação econômica com a UE".

- Reformar e investir -Em detalhes, o FMI revisa para cima suas previsões de crescimento para Alemanha (2,0% em 2017 e 1,8% em 2018), França (1,6% em 2017 e 1,8% em 2018), Itália (1,5% em 2017 e 1,1% em 2018) e Espanha (3,1% em 2017 e 2,5% em 2018).

As perspectivas positivas podem ser positivas para o presidente francês, Emmanuel Macron, que tenta estimular, entre seus sócios europeus, uma profunda reforma da zona do euro, visando uma melhor integração.

Macron recebeu o respaldo tácito do FMI, que convida, no documento, a aproveitar o crescimento para realizar reformas.

A instituição sediada em Washington alerta que, a médio prazo, a atividade da zona do euro poderia se ver freada por uma "produtividade fraca, uma demografia desfavorável, assim como o peso da dívida privada e pública de alguns países".

A inflação "ainda fraca em muitos países" também poderia pesar, destaca com preocupação.

Para controlar os riscos, o FMI sugere aos países que invistam para "sustentar as reformas estruturais".

"Uma política mais expansionista na Alemanha (...) permitiria incrementar o investimento público, gerando repercussões positivas nos países em que a demanda é deficiente", afirma.

Outra ameaça ao crescimento da zona do euro são os empréstimos incobráveis que os bancos europeus acumulam, sobretudo na Itália.

"Apesar de terem alcançado avanços (...), os problemas que persistem devem ser resolvidos com firmeza", para evitar uma nova crise bancária, destaca o FMI.

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