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Bitcoin é uma moeda 'uberizada', mas que tem seus riscos

Paris, 24 Nov 2017 (AFP) - O bitcoin, divisa virtual emergente que quer "uberizar" a moeda, contornando a regulação dos bancos centrais, poderia chegar a países que são financeiramente frágeis, mas pela conta e risco dos usuários, alertam economistas.

"O bitcoin? É um desejo de 'uberizar' a moeda, de não ter banco central para decidir seu preço", explica Ludovic Subran, economista-chefe da seguradora Euler Hermes, comparando a criptomoeda à disputa entre táxis e Uber, uma empresa que transformou o negócio.

"Isso é: não precisamos da autoridade central. Isso que é o genial dessa invenção", garante Yves Choueifaty, fundador da administradora de ativos Tobam, que acaba de lançar o primeiro fundo europeu de colocação de ativos em bitcoins.

O bitcoin está presente nas plataformas de intercâmbio específicas, e não nos mercados regulados. Ele não tem andamento legal, nem banco central, e é regido por uma ampla comunidade de internautas.

Investidores já falam de "ouro digital" diante da chegada do bitcoin, nesta semana, a uma cotação recorde: mais de 8 mil dólares. No começo do ano, era avaliada em pouco menos de 1 mil. Em 2011, valia pouco mais que um dólar.

Segundo Choueifaty, as bolhas financeiras são alimentadas justamente pelas instituições, mas "não há bolha para o bitcoin", moeda criada por um ou vários internautas que usam o pseudônimo de Satoshi Nakamoto.

- Nova dolarização -A moeda já não seduz apenas grandes operadores do mercado de ações, ou universidades americanas, mas também pessoas de países em crise, como o Zimbábue e a Venezuela, cujas divisas não valem quase nada devido à hiperinflação. A Venezuela precisou emitir, recentemente, uma nova nota de 100 mil bolívares, quando a nota mais alta, de 100 bolívares, completou um ano de circulação.

"Vejamos o caso de países com instituições frágeis e moedas nacionais instáveis. Em vez de adotar a moeda de outro país, como o dólar, por exemplo, essas economias poderiam conhecer um crescente uso de moedas virtuais, afirmou recentemente a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, que fala da "dolarização 2.0".

Os economistas destacam também o interesse pelo bitcoin nos países em desenvolvimento, cujos habitantes têm mais fácil acesso à internet que a contas bancárias tradicionais.

Mas os bancos centrais e alguns representantes das finanças alertam para uma divisa que costuma ser usada para transações ilícitas, frequentemente denunciada como "especulativa".

"É a própria definição de bolha", alertou recentemente o presidente do Crédit Suisse, Tidjane Thiam, imediatamente atacado nas redes sociais pelos - muitas vezes agressivos - defensores do bitcoin.

O Nobel de Economia, o francês Jean Tirole, concorda: "É uma bolha!", afirmou à AFP durante um colóquio em Paris nesta semana.

"É algo que não tem valor intrínseco, que pode afundar da noite para o dia. Por isso, não gostaria que os bancos franceses, por exemplo, investissem no bitcoin".

Já Subran espera que as autoridades sensibilizem mais investidores potenciais apaixonados por risco. "Há muito dinheiro a perder, e muito a ganhar também. Muita gente que quer investir, mas não se dá conta do risco", garante.

Com frequência, a divisa registra quedas abruptas, por exemplo no caso de brigas entre os membros da comunidade quer gerencia e produz o bitcoin, devido a advertências de autoridades regulatórias, ou por causa da ação de hackers.

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