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Aumenta pressão sobre fabricantes de armas nos EUA

24/02/2018 17h34

Nova York, 24 Fev 2018 (AFP) - Apontados como um dos culpados pelo massacre com um fuzil de assalto que deixou 17 mortos em uma escola de Ensino Médio na Flórida, os fabricantes de armas americanos - já enfrentando uma difícil situação financeira - começam a sofrer a desconfiança das grandes empresas que começaram a se afastar.

Pressionadas nas redes sociais, as empresas de aluguel de automóveis Hertz e Enterprise, as companhias de seguros Metlife e Chubb e a empresa de segurança em informática Symantec desistiram de permanecer associadas à NRA, o poderoso lobby das armas nos Estados Unidos.

Na sexta-feira (23), essas empresas puseram fim, oficialmente, às suas respectivas alianças. Na maioria dos casos, essas parcerias consistiam em dar vantagens aos membros da NRA que quisessem, por exemplo, alugar um carro, ou contratar um seguro específico.

"As reações dos clientes nos estimularam a rever nossas relações com a NRA", explicou em sua conta no Twitter o First National Bank of Omaha, um dos maiores emissores de cartões de crédito dos Estados Unidos.

Neste sábado, as companhias aéreas Delta Air Lines e United Airlines anunciaram no Twitter o fim dos descontos para membros da NRA e, em seus respectivos comunicados, pediram ao lobby das armas que retirasse de sua página institucional as informações sobre tarifas preferenciais.

Um dos maiores bancos dos Estados Unidos, o Bank of America anunciou que vai rever suas relações com os fabricantes de armas.

"Nos somamos a outros grupos do nosso setor para ver o que podemos fazer para pôr fim à tragédia desses tiroteios assassinos", disse o banco à AFP, explicando que "entrará em contato com o número limitado de clientes que fabricam fuzis de assalto de uso não militar para ver como podem colaborar nessa responsabilidade compartilhada".

Na sexta-feira, a hashtag #BoycottNRA foi um dos tópicos do momento no Twitter.

"Há muitas reações hostis" em relação à indústria das armas, comenta Jeff Pistole, um vendedor de armas do Arkansas (sul dos EUA), em conversa com a AFP.

"No início, (os fabricantes) diziam: 'com Trump como presidente, não temos com o que nos preocupar'", disse Pistole, referindo-se ao endurecimento da regulação sobre posse e porte de armas.

Em sua campanha à Presidência, em 2016, Trump recebeu US$ 30 milhões da NRA e é um ferrenho defensor do direito constitucional ao porte de armas.

Segundo Pistole, a dinâmica mudou, porém, após o tiroteio em 14 de fevereiro último na escola de Parkland, na Flórida. A maioria dos 17 mortos era adolescente.

Tradicionalmente, depois de um tiroteio, a venda de armas aumentava nos Estados Unidos pelo temor de seus adeptos de uma restrição da regulação, conta o vendedor, acrescentando que, em um segundo momento, a demanda cai, já que as condenações políticas não são seguidas de medidas concretas.

Desta vez, porém, alguns dos alunos sobreviventes da tragédia se tornaram, em pouquíssimos dias, figuras de um movimento nacional espontâneo que pede aos congressistas o endurecimento das leis sobre as armas pessoais.

Sob pressão, Trump pediu ao Departamento de Justiça que melhore as verificações dos antecedentes psiquiátricos e criminais dos compradores de armas de fogo e se declarou a favor do aumento da idade legal para compra de algumas armas para 21 anos. O agressor da Flórida tinha 19.

- Um setor em dificuldades -Em consequência, as ações dos fabricantes de armas sofreram um baque em Wall Street. Os títulos da Sturm Ruger perderam 4% de seu valor em Bolsa desde 14 de fevereiro; os da American Outdoor Brands (antiga Smith & Wesson), 5,8%; e os da Vista Outdoor Inc., 6,1%.

O fundo de investimento americano BlackRock, um dos grandes acionistas desses três fabricantes de armas (American Outdoor Brands, Sturm Ruger e Vista Outdoor), anunciou que discutirá o tiroteio da Flórida com essas empresas.

Essas pressões chegam em um mau momento para o setor, que atravessa um período difícil, marcado por cortes de empresa e pela redução da atividade nas fábricas.

Com uma dívida colossal, a empresa fabricante de armas Remington Outdoor, de mais de 200 anos de existência, deve apresentar seu balanço nos próximos dias.

Já a Sturm Ruger demitiu, no ano passado, cerca de 700 funcionários (28% de seu quadro), seu volume de negócios caiu 22%, e os lucros, 40%, em função da redução do preços das armas.

A indústria também sofreu com o estoque de grandes quantidades feito pelos americanos antes de novembro de 2016, diante do temor de uma vitória de Hillary Clinton. Segundo especialistas, a democrata é favorável a leis mais restritivas sobre as armas.

"O mercado tentou se adaptar à queda da demanda baixando os preços", conclui o novo presidente da Vista Outdoor, Christopher Metz.

jmb-lo/jum/faa/ple/lb/rsr/tt

SMITH & WESSON HOLDING CORPORATION

THE NEW YORK TIMES COMPANY

BLACKROCK

SYMANTEC

STURM, RUGER & CO

CHUBB

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