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Polícia prende suspeitos por drones e aeroporto de Gatwick volta à situação quase normal

22/12/2018 10h28

Londres, 22 dez 2018 (AFP) - Duas pessoas foram detidas na investigação sobre o "uso criminoso de drones" no aeroporto de Gatwick, em Londres, que neste sábado registrava uma situação praticamente normal, depois que 140.000 passageiros foram afetados poucos dias antes do Natal.

Os drones foram observados pela primeira vez sobrevoando Gatwick, o segundo maior aeroporto do Reino Unido, na quarta-feira, o que forçou o fechamento de sua pista única.

"No âmbito de nossas investigações pelo uso criminoso de drones, que alterou seriamente os voos com saída e chegada do aeroporto de Gatwick, a polícia de Sussex realizou duas prisões por volta das 22H00 [local e GMT] de 21 de dezembro", informou o superintendente da polícia James Collis.

Neste sábado estavam previstos 757 voos, com 124.484 passageiros, segundo o porta-voz do aeroporto, que no entanto advertiu para possíveis atrasos e cancelamentos, uma consequência das perturbações dos dias anteriores.

Quase mil voos foram cancelados ou desviados desde quarta-feira, o que afetou 140.000 passageiros. O aeroporto permaneceu fechado por 36 horas pela presença de drones.

Após as detenções de sexta-feira, a polícia de Sussex, condado em que fica o aeroporto, afirmou que os agentes usaram "um leque de táticas para detectar e impedir novas incursões de drones".

O exército utilizou tecnologia de ponta para buscar os aparelhos.

A polícia também cogitou a ideia de derrubar os drones, depois que as autoridades descartaram em um primeiro momento a possibilidade.

A pista única de Gatwick foi fechada pela primeira vez na quarta-feira Gatwick às 21h00 GMT (19h00 de Brasília) quando dois drones foram observados sobrevoando a área da pista. O local foi reaberto por alguns minutos durante a noite e voltou a fechar às 3h45 GMT (1H45 de Brasília), quando os drones foram novamente detectados (um total de 50 vezes em 24 horas).

O diretor-geral do aeroporto, Stewart Wingate, denunciou uma "atividade muito direcionada com o objetivo de fechar o aeroporto e causar o maior número de distúrbios pouco antes do Natal".

A polícia afirmou que este foi um "ato deliberado que buscava perturbar o funcionamento do aeroporto", mas ressaltou que "não há absolutamente nenhuma evidência que sugira um vínculo terrorista".

Steve Barry, chefe adjunto da polícia local, afirmou que os investigadores consideravam a possibilidade de um defensor do meio ambiente estar por trás do ataque.

- "Falta de consideração" -Diante do caos em Gatwick, o governo foi criticado por não fazer o suficiente para proteger os aeroportos.

O jornal The Times afirma neste sábado, sem citar as fontes, que o ministro dos Transportes, Chris Grayling, deixou de lado uma nova legislação prevista para este ano que criaria regras para o uso de drones perto dos aeroportos, apesar das muitas advertências sobre os ricos dos aparelhos.

"Em 2017 nos prometeram uma nova legislação", lamentou Andy McDonald, secretário de Transportes do opositor Partido Trabalhista, na BBC Radio 4.

Ele criticou uma "falta de consideração" por parte do governo.

"Vamos ter que aprender muito rapidamente com o que aconteceu" disse Gralying na sexta-feira.

Trabalhamos com fabricantes de drones em soluções técnicas, como geolocalização", disse a secretária de Transportes, Elizabeth Sugg.

A legislação britânica estipula que drones não podem ser utilizados a menos de um quilômetro de um aeroporto e que não podem superar uma altitude de 122 metros. O responsável ou responsáveis por tais atos podem ser condenados a penas de até cinco anos de prisão e ao pagamento de multas pesadas.

Com os aviões paralisados, os passageiros precisaram de paciência e muitos dormiram no chão do aeroporto. Os voos foram desviados para outras cidades do Reino Unido e atém mesmo Paris ou Amsterdã.

Gatwick tem voos para 228 destinos em 74 países e recebe quase 45 milhões de passageiros a cada ano.