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Governo alemão se explica a deputados sobre caso Wirecard

29/07/2020 16h59

Frankfurt am Main, 29 Jul 2020 (AFP) - O ministro alemão das Finanças, Olaf Scholz, disse nesta quarta-feira (29) a parlamentares, durante uma audiência, que compartilhou "tudo o que se sabia" sobre o escândalo com a Wirecard, empresa de pagamentos digitais que quebrou em meio a suspeitas de fraude e manipulações contábeis.

O social-democrata Olaf Scholz e seu colega da Economia, o conservador Peter Altmaier, foram convocados pela comissão de Finanças da Bundestag, Câmara baixa do Parlamento, a portas fechadas.

Os deputados queriam saber porque os ministérios e as autoridades reguladoras não agiram antes para evitar este "escândalo sem equivalente no mundo das finanças", como qualificado pelo governo alemão.

O caso veio à tona em junho, quando a Wirecard, uma empresa cotada no índice Dax da bolsa de Frankfurt, que reúne as 30 principais companhias do país, admitiu que 1,9 bilhão de euros inscritos em suas contas na verdade não existiam.

"Agi de forma a que todo mundo soubesse exatamente tudo o que sabíamos", declarou Scholz à imprensa após quatro horas de audiência, na qual prometeu reformas.

O ministro assegurou que quer dar mais poderes e meios à BaFin, autoridade dos mercados financeiros, e à regulação bancária, alvos de críticas da opinião pública por sua inoperância na crise.

A oposição, por sua vez, não excluiu abrir uma investigação parlamentar.

- Quebra da companhia -Após revelada a fraude, as ações da Wirecard caíram mais de 98% e a companhia quebrou. Seu fundador e ex-presidente, o austríaco Markus Braun, está em prisão preventiva juntamente com dois ex-diretores, alvos de várias acusações.

A promotoria de Munique investiga onde está o dinheiro e acusa os dirigentes de terem mentido sobre rendimentos desde 2015.

O ex-diretor operacional, Jan Marsalek, suspeito de ter se relacionado com vários serviços de Inteligência, não se entregou à justiça alemã e estaria na Rússia, segundo veículos de imprensa alemães.

- "Vergonha" para o país-Há cinco anos, a imprensa já repercutia boatos sobre as irregularidades na Wirecard e no começo de 2019 o jornal Financial Times publicou uma investigação sobre as suspeitas de fraude na Ásia.

Felix Hufeld, diretor da BaFin, foi acusado por vários investidores e em junho qualificou o caso de um "desastre total" e "vergonha" para o país.

A BaFin é um "tigre sem dentes" diante de grandes grupos, disse Frank Schäffler, deputado do partido liberal FDP e membro da comissão de Finanças, ao jornal Handelsblatt.

Mas o governo também está em uma situação delicada. Segundo um relatório do ministério, Olaf Scholz já estava a par em 2019 de uma investigação da BaFin sobre suspeitas de manipulação dos mercados por parte da Wirecard.

A chanceler Angela Merkel também tem sido criticada e segundo a revista Der Spiegel, promoveu a campanha durante uma viagem à China em 2019, quando seus serviços já estavam a par de uma investigação.

Mas a chancelaria desmentiu que Merkel estivesse a par tão cedo das irregularidades.

O caso Wirecard lembra o da Enron, nos Estados Unidos, no início dos anos 2000. A empresa aumentava artificialmente seus lucros, omitia suas perdas e falsificava suas contas para melhorar sua cotação em bolsa.

A Wirecard tem 6.000 funcionários em todo o mundo e no momento permanece operacional.

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