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A inflação no centro do debate sobre o plano de ajuda de Biden

A inflação no centro do debate sobre o plano de ajuda de Biden - Notas de cem dólares
A inflação no centro do debate sobre o plano de ajuda de Biden Imagem: Notas de cem dólares

10/02/2021 17h41

O plano de 1,9 trilhão de dólares do presidente Joe Biden para revitalizar a economia dos Estados Unidos é recebido com ceticismo por alguns economistas, entre eles um ex-secretário do Tesouro e membro do Partido Democrata.

O alerta de Larry Summers na semana passada de que o plano poderia causar superaquecimento, aumentando a inflação, e deslocar outras prioridades de investimento gerou um debate sobre se a proposta de Biden é excessiva, mesmo para uma economia que sofreu profundos danos durante a pandemia.

Confira a seguir, os pontos de debate sobre um possível impacto do pacote de ajuda sobre os preços:

- A discussão -Em uma coluna no Washington Post publicada na semana passada, Summers, que foi secretário do Tesouro de Bill Clinton e conselheiro do governo de Barack Obama, observou que o plano de Biden pode ser o que a economia precisa para se recuperar.

Mas, devido ao seu tamanho, indicou que os legisladores deveriam monitorar de perto qualquer aumento da inflação ou aumento no custo de vida para bens e serviços básicos.

Além disso, alertou que esses gastos podem deixar os Estados Unidos sem recursos para outras prioridades do governo, como infraestrutura ou combate à desigualdade.

Enquanto isso, o ex-economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, avaliou que o valor do pacote é "alto demais", embora possa ser restringido por novos impostos destinados a compensar seus custos e limitar os efeitos do superaquecimento na maior economia mundial.

Em uma entrevista recente, a atual secretária do Tesouro, Janet Yellen, reconheceu que a inflação "é um risco". Mas a ex-presidente do Federal Reserve disse: "Temos as ferramentas para lidar com esse risco", argumentando que a proposta poderia fazer a economia americano retornar ao pleno emprego até 2022.

O plano

A iniciativa do presidente proporcionaria cheques de estímulo, aumento dos benefícios de desemprego e ajuda às pequenas empresas, embora possa ser reduzido de seu valor inicial à medida que avança no Congresso, onde o Partido Democrata tem uma maioria apertada em ambas as casas.

Se aprovado, será o terceiro grande pacote de ajuda aprovado pelo Congresso para enfrentar os efeitos da pandemia, após a Lei CARES de 2,2 trilhões de dólares, promulgada em março, e a subsequente ajuda de US$ 900 bilhões em dezembro.

Esses pacotes serviram para evitar que a recessão piorasse, mas em meados de janeiro, mais de 17,8 milhões de pessoas ainda estavam desempregadas e quase 4 milhões haviam deixado o mercado de trabalho, e suas perspectivas de retorno ao trabalho dependem do curso do vírus.

"Mesmo se o plano de recuperação for aprovado, ainda estaremos em um ambiente onde nem todos terão trabalho", avaliou Gregory Daco, da Oxford Economics.

A inflação

A inflação, refletida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Departamento do Trabalho, despencou quando a pandemia chegou e experimentou uma recuperação parcial pelo resto de 2020.

Nesta quarta-feira, o IPC geral mostrou alta de 0,3% em janeiro em relação a dezembro. Já o IPC geral e básico avançou 1,4% nos últimos 12 meses, bem abaixo da meta de 2% do Fed.

No final do ano, a inflação situou-se em 1,4%, inferior ao avanço de 2,3% em 2019.

No entanto, os projetos de estímulo somados à decisão do Federal Reserve de cortar as taxas de juros a zero ajudaram alguns setores da economia a se recuperar mais rapidamente, disse Daco, apontando para a construção de casas, onde os preços subiram.

Daco não acredita que a dinâmica da inflação relativamente baixa tenha desaparecido.

Para Larry Summers, "pode ser perigoso eliminar cenários de risco porque eles não são vistos há muito tempo".

Ferramentas disponíveis

A economia dos Estados Unidos não experimenta uma inflação alta sustentada há décadas, apontou Jonathan Millar, diretor de Pesquisa Econômica no Barclays Investment Bank.

Isso se deve às mudanças na economia global que têm levado ao aumento da concorrência que mantém os preços baixos, além de uma política monetária mais eficaz do Fed.

O Fed tem poucas ferramentas para combater crises econômicas, incluindo o corte das taxas de juros, explicou Millar. Mas quando se trata de combater a inflação, está melhor equipado.

Enquanto isso, os mercados parecem apostar em um cenário de superaquecimento. As taxas de longo prazo estão aumentando, impulsionadas pelo aumento dos preços do petróleo, aumento das matérias-primas e perspectivas de recuperação.