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Um ano após o crack de 2020, a verdadeira crise financeira vem aí?

10/03/2021 11h22

Paris, 10 Mar 2021 (AFP) - Em um ano, os mercados financeiros globais passaram do colapso histórico de março de 2020 para sua melhor forma, com recordes nas Bolsas de Wall Street ou Frankfurt, uma velocidade de recuperação que preocupa alguns observadores.

Em 12 de março de 2020, um dia após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar oficialmente a situação de pandemia, aconteceu uma quinta-feira sombria nas Bolsas: Paris (-12%), Madri (-14%) e Milão (-17%) registraram quedas sem precedentes.

Londres (-11%) e Nova York (-10%) experimentaram algo que não acontecia desde a quebra de outubro de 1987.

Os mercados sofreram ainda mais nos dias seguintes. Em 16 de março, os índices americanos caíram mais de 12%.

"Foi realmente uma loucura, o mercado caía a um ritmo que pensamos que não atingiria o fundo do poço", lembra Ipek Ozkardeskaya, analista do Swissquote Bank de Londres.

E agora, apenas um ano depois, muitos índices voltaram ou ultrapassaram seus níveis pré-pandêmicos.

O índice americano Nasdaq, que inclui ações tecnológicas, se recuperou em junho. Entre seu ponto mais baixo, em 23 de março de 2020, e seu último recorde, em 12 de fevereiro de 2021, disparou 105%.

Algumas ações dispararam em 2020, como Tesla (+ 743%), Zoom (+ 396%) e Moderna (+ 434%).

Em Frankfurt, o Dax bate um recorde após o outro.

Nada a ver com a longa crise que se seguiu à falência do Lehman Brothers no outono de 2008. Na verdade, o cenário é o oposto, pois desta vez foi a paralisia da economia real que afetou os mercados.

"Enfrentamos uma crise de oferta totalmente nova", disse à AFP Eric Bourguignon, diretor do departamento de de títulos da Swiss Life AM.

A economia mundial congelou, com o fechamento de fábricas, de fronteiras, suspensão de voos e fechamento de lojas e restaurantes.

"Foi a primeira vez que tivemos uma recessão tão severa, tão global, mas percebida como de tempo tão curto", lembra Vincent Mortier, vice-diretor de administração da Amundi.

Para Kokou Agbo-Bloua, diretor global de pesquisa macroeconômica da Societe Generale, tudo lembrava "situações de guerra".

Como resultado, os bancos centrais e governos agiram "com grande força sem ter que prestar contas", de acordo com Mortier. Uma reação "muito massiva que só foi financiada com dívidas".

- "Calcanhar de Aquiles" -Cerca de "US$ 24 trilhões" de dinheiro novo foram injetados globalmente, diz Agbo-Bloua, que os mercados receberam de braços abertos porque são "viciados em liquidez" há anos, de acordo com Bourguignon.

O mercado de ações experimentou "um cisne negro definitivo" em 2020, um evento totalmente imprevisível, de acordo com JJ Kinahan, chefe de estratégia de mercados da TD Ameritrade em Nova York. "A maneira como saímos disso é absolutamente incrível".

Tão incrível que o sempre cauteloso Banco de Compensações Internacionais (BIS), o banco central dos bancos centrais, detecta sinais de exuberância semelhantes aos da bolha da internet dos anos 1990.

"Seria muito perigoso pensar que o fim da crise de saúde equivale ao fim da crise, na verdade é o contrário", alerta Mortier.

"O calcanhar de Aquiles desse equilíbrio precário criado pela dívida é claramente a inflação", analisa Agbo-Bloua.

Nas últimas semanas, os investidores observaram com preocupação a alta das taxas de juros e temem a expectativa de recuperação dos preços, o que levaria os bancos centrais a fecharem a torneira da liquidez.

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