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Lucros de petroleiras provocam críticas de ecologistas e consumidores

11/02/2022 13h33

Paris, 11 Fev 2022 (AFP) - As grandes petroleiras do mundo registraram enormes lucros em 2021, aproveitando a alta do preço do petróleo, mas essa prosperidade irrita ambientalistas e consumidores, duramente atingidos pela crise energética.

A TotalEnergies anunciou na quinta-feira um lucro líquido de US$ 16 bilhões em 2021, o maior em pelo menos 15 anos. Dias antes, outras gigantes do petróleo haviam divulgado lucros anuais vertiginosos: US$ 23 bilhões para a ExxonMobil, US$ 20,1 bilhões para a Shell, US$ 15,6 bilhões para a Chevron e US$ 7,6 bilhões para a BP.

Esta recuperação, depois de um ano difícil em 2020 devido à pandemia de covid-19, era "bastante esperada", ressalta Francis Perrin, investigador associado do Policy Center for the New South(Rabat) e diretor de pesquisa do Instituto de Relações Internacionais e Estratégico (Paris).

O preço do Brent, depois de ter atingido o fundo do poço em abril de 2020 com o barril a 18 dólares, "subiu em média 70%", recorda Perrin. Em janeiro, o preço do barril de petróleo atingiu seu nível mais alto em mais de sete anos, com mais de 90 dólares.

"As empresas petrolíferas se beneficiaram de um alinhamento extraordinariamente favorável dos planetas em 2021", destaca também Moez Ajmi, da empresa EY.

Além do aumento dos preços, os 'majors' passaram a "limpar" seus ativos para manter apenas os mais rentáveis.

Outros fatores, segundo Ajmi, são "um reforço da política de redução de custos que vinha sendo aplicada desde a queda dos preços em 2014" e uma "reabertura das torneiras da OPEP", a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, e seus aliados.

- Poder aquisitivo afetado -A maioria das empresas teve uma "virada de 180 graus" de um ano para o outro, de acordo com Perrin.

É o caso da americana ExxonMobil, que perdeu 22,4 bilhões de dólares em 2020 antes de obter quase o mesmo lucro em 2021.

Seu CEO, Darren Woods, elogiou os "investimentos específicos" feitos em meio à crise e a redução de custos. Apesar disso, os consumidores viram o seu poder de compra diminuído pelo aumento dos preços da energia e são muito críticos em relação às petroleiras, que também pedem que sejam mais ecológicas.

No Reino Unido, os números da BP e da Shell estão levando a pedidos de um imposto único.

"Esses lucros são um tapa na cara de milhões de pessoas que temem sua próxima conta de luz", disse o Greenpeace esta semana. "BP e Shell embolsam bilhões graças à crise do preço do gás (...) Essas mesmas empresas são responsáveis por aproximar nosso mundo da catástrofe climática", denunciou também a ONG ambientalista.

No entanto, a OPEP espera um novo aumento da procura mundial para 2022, que voltaria ao nível recorde de consumo de 2019, antes da queda ligada à pandemia. Ao mesmo tempo, o preço do petróleo deve continuar subindo, segundo Perrin, para quem um retorno a US$ 100 o barril este ano é totalmente plausível.

"A crise da saúde parece ter chegado ao fim, a recuperação econômica na China, Estados Unidos e Europa não parece enfraquecer, a oferta continua limitada devido à falta de investimento em petróleo nos últimos dois anos e à pressão ambiental", diz Ajmi.

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