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Mercado imobiliário espanhol retoma euforia após anos convalescente

18/02/2022 17h52

Madri, 18 Fev 2022 (AFP) - Quatorze anos após o estouro da bolha imobiliária, o mercado da construção espanhol vive um período de euforia, com vendas disparadas e preços em alta, que lembram outras épocas.

A longa convalescença após a crise de 2008 parece ter ficado para trás: "O mercado residencial vive há um ano um momento excepcional", diz Sandra Daza, diretora geral da consultoria imobiliária Gesvalt.

No ano passado, foram vendidas 565.523 residências na Espanha, segundo dados divulgados nesta semana pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O número, que representa um aumento de 34,6% em relação a 2020, é o mais alto desde 2007, ano que antecedeu a crise.

O apetite renovado repercute nos preços: segundo o Conselho Geral do Notariado, o custo do metro quadrado subiu 5,3% em média em 2021, impulsionado principalmente pelas altas nas Ilhas Baleares (14,2%), Andaluzia (8,1%) , Canárias (7,9%) e Madri (7,1%).

O ano de 2021 "superou as boas expectativas", confirm Francisco Iñareta, do portal imobiliário Idealista, que ressaltou "a fortaleza da demanda": "As estatísticas mostram que a pandemia aumentou o apetite dos espanhóis pela casa própria."

Para Sandra Daza, o mercado superou definitivamente os piores anos da década anterior. "O imóvel se tornou um ativo de refúgio", explica Sandra Daza, que atribui a melhora tanto às "taxas de juro muito baixas" quanto à "elevada taxa de poupança" dos lares.

- Sem superaquecimento -

Uma enxurrada de empresas falidas, preços em colapso, obras abandonadas... O estouro da bolha imobiliária em 2008, após anos de preços desvinculados do valor de mercado, derrubou a economia espanhola, fortemente dependente do setor da construção. A mesma situação poderia se reproduzir agora?

Nos últimos dias, vários atores econômicos pediram "vigilância", como o Banco da Espanha, para o qual os preços dos ativos imobiliários encontram-se "levemente acima" do seu nível de equilíbrio. Mas para especialistas do setor, o risco de uma nova perda de controle é limitado.

"Devemos estar sempre vigilantes, mas ainda estamos longe de um superaquecimento", afirma Sandra. "A situação é muito diferente da de 2008", acrescenta Pablo Kindelán, diretor associado da Rubica Real Estate.

Além disso, o aumento da demanda não foi acompanhado nos últimos meses por uma escalada nas construções. Segundo o governo, em 2021 foram registrados 105.000 inícios de construção de imóveis, um número muito distante dos registros pré-crise (quase 700.000 em 2002).

Segundo especialistas do setor, a principal diferença em relação aos anos 2000 diz respeito aos empréstimos bancários. "Naquele momento, os bancos financiavam qualquer coisa, o que já não é o caso. Aprenderam a lição com a crise", ressalta Kindelán.

Essa mudança de posição também é resultado de um reforço das regras impostas pelo Banco Central Europeu (BCE). Os créditos são elevados, mas "as condições são mais rigorosas", explica o especialista, que não detecta "sintomas de bolha imobiliária".

A opinião de Kindelán é compartilhada por Pedro Álvarez, analista do Caixabank, quem considera que o mercado irá se acalmar em 2022. "O ritmo intenso de crescimento em 2021 não parece sustentável" a longo prazo, avalia o economista, que descarta a risco de "uma espiral de alta preocupante".

vab/CHZ/rs/du/eg/lb

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