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Fundo dos Estados Unidos quer comprar 100% da TIM

A KKR já enviou à TIM uma manifestação de interesse para uma oferta "amigável" de 0,505 euro por ação - Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
A KKR já enviou à TIM uma manifestação de interesse para uma oferta "amigável" de 0,505 euro por ação Imagem: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

Em Milão

22/11/2021 10h36

A gestora americana de fundos de investimento KKR apresentou uma proposta para comprar a totalidade da TIM, principal empresa de telefonia e internet da Itália, naquela que pode ser uma das maiores aquisições da história do setor.

A notícia da oferta provocou um turbilhão na política italiana, já que o governo detém quase 10% das ações da operadora por meio do banco de investimentos CDP (Cassa Depositi e Prestiti) e tem o poder de vetar a operação.

A KKR já enviou à TIM uma manifestação de interesse para uma oferta "amigável" de 0,505 euro por ação, o que totalizaria cerca de 11 bilhões de euros (R$ 69,4 bilhões), quase 60% a mais do que o atual valor de mercado da empresa, que gira em torno de 7 bilhões (R$ 44,1 bilhões).

A proposta, no entanto, estaria sujeita a uma adesão mínima de 51% do capital social da operadora, o que daria à KKR seu controle acionário.

O Ministério da Economia da Itália, controlador da CDP, disse que o "interesse dos investidores em importantes empresas" nacionais é uma "notícia positiva para o país". "Se isso se concretizar, será tarefa do mercado avaliar a solidez do projeto", afirmou a pasta.

O governo, no entanto, garantiu que acompanhará "com atenção" o desenvolvimento da oferta, especialmente em relação a projetos de infraestrutura. "O objetivo do governo é assegurar que esses projetos sejam compatíveis com a rápida conclusão da conexão com banda ultralarga e com a proteção dos empregos", disse o Ministério da Economia.

O grupo francês Vivendi, maior acionista da TIM, com 23,75% de participação, evitou comentar a proposta, mas estaria reticente, de acordo com o jornal econômico Les Echos. "Seja por motivos financeiros, seja por motivos estratégicos, a Vivendi não parece querer vender sua fatia", escreveu o diário francês.

Por sua vez, o secretário da Cgil (Confederação Geral Italiana do Trabalho), maior sindicato do país, Maurizio Landini, afirmou que o Estado não pode se limitar à "lógica do mercado", especialmente em um setor "estratégico como o de telecomunicações".

Já o senador de ultradireita Matteo Salvini destacou que a TIM precisa de um "parceiro e um plano industrial que a valorizem e reforcem, e não de uma operação financeira que arrisca desmembrar uma companhia tão importante para o país".

O ex-premiê Giuseppe Conte, líder do partido antissistema M5S (Movimento 5 Estrelas), cobrou que o governo de Mario Draghi mantenha a guarda e assegure a "melhor proteção dos interesses nacionais de ativos que representam um pilar de crescimento, desenvolvimento e progresso tecnológico".

Enquanto isso, o mercado parece ter reagido positivamente à oferta. Por volta de 13h (horário local), as ações da Telecom Italia na Bolsa de Milão acumulavam alta de mais de 27%.

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