Pequenos truques de arquitetura podem ajudar (ou prejudicar) a produtividade do escritório

Bryan Borzykowski - Da BBC Capital

Bambi George ficou feliz da vida quando sua empresa se mudou de um pequeno escritório para um prédio maior.

O antigo escritório da Valorem - empresa de tecnologia sediada em Kansas City, nos Estados Unidos - mal tinha luz natural e as paredes eram cinzas. O novo ambiente não poderia ser mais diferente: as paredes eram pintadas de verde, amarelo e azuis e a sala tinha muita luz natural.

Além de ser um local mais convidativo para trabalhar, George também acha que as cores fizeram do escritório um lugar mais criativo e produtivo.

"Não é só por causa do espaço, mas nossos funcionários estão aparecendo com todo tipo de ideias inovadoras", diz George, que é vice-presidente de operações da empresa.

A ideia de que uma simples realocação deixaria os funcionários da Valorem mais criativos não é tão improvável quanto pode parecer. Há cada vez mais pesquisas indicando que iluminação, cor das paredes e até mesmo altura do teto podem ter um grande impacto na forma como pensamos.

Apesar de serem uma maneira barata de as empresas colocarem mais pessoas em menos espaço, escritórios apertados e de plano aberto podem sabotar a circulação de ideias.

"O escritório foi planejado com uma visão de fábrica, mas a maior parte do trabalho que fazemos envolve conhecimento e precisa inovação e criatividade", diz Kay Sargent, diretor de ambiente de trabalho da empresa de design HOK. "As pessoas precisam se sentir seguras e confortáveis para que sejam livres para inovar".

Se essas necessidades não são atendidas, a criatividade pode ser abalada, diz Sargeant.

Espaços de trabalho bem planejados muitas vezes criam ambientes que fazem os empregados pensarem melhor, mesmo sem perceber. Agora, algumas pessoas estão buscando na ciência a solução para libertar a mente de seus funcionários.

Verde criativo

Uma das formas mais fáceis de inspirar criatividade é usar a cor certa nas paredes do escritório, diz a psicóloga de design de ambientes Sally Augustin, da empresa Design with Science.

Apesar de poder ter efeitos diferentes de acordo com determinadas preferências pessoais, o verde está diretamente ligado à criatividade. Outras cores fortes, como azuis claros ou amarelos, também podem aumentar a disposição para criar.

Podem existir duas razões para esse efeito, segundo Augustin. Primeiramente, cores mais serenas, como azuis e verdes, são menos estimulantes que as mais saturadas, como o vermelho. Por isso, elas nos distraem menos das tarefas que estamos desempenhando. O verde também está associado à natureza, o que pode nos ajudar a relaxar.

Se há uma cor que deve-se evitar, é o vermelho. Ela pode dar uma injeção de energia, mas estudos também a relacionam a desempenho analítico pior e sentimentos mais agressivos.

Luz

A iluminação também é fundamental para a criatividade, diz Sally Augustin. Conseguir o equilíbrio certo tem se mostrado crucial para manter o humo ideal no ambiente de trabalho. Se está muito escuro, os funcionários podem ficar sonolentos e, se estiver muito claro, podem ficar mais ansiosos. Os especialistas recomendam que o nível da luz em um escritório fique por volta de 500 lux, uma medida de luz que corresponde ao nascer do sol em um dia limpo.

A psicóloga diz, porém, que o melhor tipo de iluminação é a natural. Pesquisas indicam que ela é capaz de melhorar nosso humor, nos ajuda a dormir melhor e nos torna mais produtivos. Mas, para aproveitar todos os benefícios da luz natural, é necessário algo a mais.

"Se você tem acesso a luz natural mas está olhando para uma parede de tijolos, não vai funcionar", diz Sargent. "Essas coisas são combinadas: é preciso ter a luz, mas também o verde, água e árvores. Essas coisas têm um impacto positivo em quase todo mundo."

Quando se fala em luz artificial, o calor e as cores também importam, segundo Augustin. Em espaços mais colaborativos, onde precisamos pensar criativamente, ela diz que uma cor mais quente é a ideal. Se precisamos nos concentrar ou pensar analiticamente, uma cor mais azulada é melhor.

Outro estudo, da Universidade de Cornell (EUA), apontou que o uso de luminárias indiretas e focadas tem um impacto maior sobre a satisfação e a produtividade de funcionários em comparação com as tradicionais luminárias largas e parabólicas que são encontradas na maioria dos escritórios de plano aberto.

Cabeça nas alturas

Talvez mais surpreendente ainda seja o fato de que a quantidade de espaço acima de sua cabeça possa afetar a forma como você pensa.

Um estudo de 2007 avaliou como o pé-direito de um local (distância do pavimento ao teto) tem impacto nos processos mentais das pessoas e descobriu que quanto maior a altura, maior a tendência a pensamentos criativos. Ao mesmo tempo, tetos mais baixos ajudam as pessoas a realizarem tarefas mais práticas.

"A altura do pé-direito pode trazer diferentes conceitos ou pensamentos à mente", diz Joan Meyers-Levy, autora do estudo. "Esses conceitos acabam influenciando a forma como você processa a informação".

"Um pé-direito alto ativa a ideia de liberdade ou de falta de limites. Já o pé-direito baixo ativa conceitos de constrição ou confinamento."

Essa não é uma área nova de pesquisa. O estudo de Meyers-Levy menciona o trabalho de 1966 de Edward Hall, que aplicou essa teoria a templos de oração. Ele notou que "capelas, que são pequenas e estreitas, tendem a passar a noção de restrição, enquanto catedrais imponentes evocam liberdade e abertura ao cosmos".

Colocando em prática

Incorporar todos esses elementos de design implica criar uma variedade de espaços em um escritório, de forma que a equipe consiga encontrar privacidade se necessário, mas também trabalhar em áreas voltadas para o pensamento criativo e analítico, diz Kay Sargent.

Por exemplo, uma empresa pode ter uma sala com pé-direito alto onde o trabalho mais criativo acontece e outra com pé-direito baixo onde tarefas mais práticas sejam realizadas.

Na Valorem, há salas diferentes para tipos diferentes de trabalho. A empresa ainda não chegou a criar locais com pé-direito mais alto, mas algumas salas foram desenhadas como espaços colaborativos e outras, para um trabalho mais concentrado. Algumas têm cores diferentes nas paredes para evocar humores diferentes, segundo Bambi George.

É claro que o espaço não é o único fator que contribui para a criatividade - seus colegas, seus chefes e seu apreço pelo trabalho que está fazendo também influenciam. Mas o ambiente pode nos dar um impulso criativo. Para aqueles que trabalham em lugares muito ruins, colocar plantas em um cubículo ou fotos coloridas em uma mesa pode ajudar o pensamento a fluir, de acordo com Sargent.

"O importante é criar uma variedade de espaços. Queremos criar ambientes que maximizam o potencial de uma pessoa ser bem-sucedida", explica.

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