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Marchionne embarca na última missão impossível na Fiat Chrysler

Tommaso Ebhardt

(Bloomberg) -- O CEO da Fiat Chrysler Automobiles NV, Sergio Marchionne, já começa a enxergar além de seu reinado na fabricante de veículos. Mas no momento ele aposta em sua capacidade para silenciar os pessimistas mais uma vez.

O experiente negociante atribuiu a si mesmo a tarefa monumental de aumentar as vendas em quase 50 por cento, eliminando ao mesmo tempo 7 bilhões de euros (US$ 7,65 bilhões) em dívidas e mais do que triplicando o lucro líquido da empresa, para cerca de 5 bilhões de euros até 2018. Com os planos para expandir a Alfa Romeo e transformá-la em desafio real para a BMW mostrando-se mais difíceis que o esperado e sem nenhum negócio com poder de mudança no horizonte, a maioria dos analistas não está dando muita chance a ele.

"A palavra 'ambicioso' realmente não é adequada para descrever isso; 'fantasioso' poderia ser mais apropriada", disse Max Warburton, analista da Sanford C. Bernstein Ltd., em um relatório. "Adoraríamos ver Marchionne sair por cima, mas no momento é difícil conceber qual será a aparência da saída gloriosa de sua extraordinária carreira".

Após desistir dos esforços para forçar a General Motors Co. a realizar uma fusão, o CEO de 63 anos transformou a implementação de um plano de investimento e reestruturação de 48 bilhões de euros em sua tarefa final na empresa que administra desde 2004. As metas que ele propôs -- entre as quais aumentar as vendas anuais em cerca de 2,4 milhões de veículos, mais do que a BMW AG vende em um ano -- parecem fora da realidade, especialmente com antigos mercados que registravam crescimento, como China, Brasil e Rússia, agora em dificuldades.

A IHS Automotive projeta um crescimento modesto para a Fiat Chrysler, com as vendas subindo para cerca de 5 milhões de veículos em 2018. O número está muito distante da meta de Marchionne, de 7 milhões. Espera-se um descumprimento semelhante do objetivo de gerar um ganho de 4,7 bilhões de euros a 5,5 bilhões de euros. O lucro líquido ajustado está projetado em 3,28 bilhões de euros em 2018, segundo a estimativa média de cinco analistas consultados pela Bloomberg. Eles também não acreditam que a fabricante estará livre de dívidas em três anos.

As dúvidas não abalaram Marchionne.

'Aqui estamos'

As expectativas "têm sido mais baixas do que as minhas metas desde que eu cheguei, em 2004, porque ninguém acreditou no primeiro plano, nem na reformulação da Chrysler, nem que a Ferrari valeria US$ 10 bilhões: e ainda assim, aqui estamos", disse Marchionne, em 4 de janeiro, em um evento em alusão à conclusão da separação da Ferrari, uma decisão que mais do que duplicou o valor de mercado do grupo combinado e levantou cerca de 4 bilhões de euros para a Fiat Chrysler.

Não é apenas o orgulho de Marchionne que está em jogo. Por meio de um plano de incentivo aprovado em 2014 ele terá o direito de receber 4,32 milhões de ações da Fiat Chrysler -- avaliadas em cerca de US$ 35 milhões pelos preços atuais -- se a empresa cumprir sua meta de lucro líquido de 2018. Ele tentará avançar com o plano no Salão Internacional do Automóvel Norte-Americano, em Detroit, nesta semana, no qual apresentará a primeira minivan híbrida dos EUA.

Em meio às dificuldades da China e com a queda de 30 por cento nas vendas da Fiat Chrysler no Brasil, Marchionne está transferindo gastos para a divisão Jeep à custa dos investimentos nas marcas Alfa Romeo e Maserati. As vendas da Jeep subiram 22 por cento no ano passado, para 1,24 milhão de carros, reforçadas pelo novo SUV compacto Renegade, de fabricação italiana.

"A estrela dos próximos anos deverá ser a Jeep", disse Massimo Vecchio, analista do Mediobanca em Milão. E mesmo que as metas sejam muito forçadas, "vemos um enorme incremento das ações".

Mesmo com os ajustes nos investimentos e com a separação da marca Ferrari, de alta margem, as metas financeiras gerais não serão reduzidas e uma fusão ou aquisição não é necessária para atingi-las, disse Marchionne no mês passado. Uma atualização da estratégia deverá ser publicada no fim de janeiro juntamente com os resultados do ano cheio.

 

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