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Petróleo estende queda; estoques dos EUA devem mostrar alta

Ben Sharples e Grant Smith

(Bloomberg) -- O petróleo ampliou sua queda em relação ao menor preço de fechamento em mais de 12 anos antes da projeção de dados semanais do governo dos EUA apontar a expansão dos estoques de petróleo bruto, piorando o excesso global.

Os contratos futuros chegaram a perder 4 por cento em Nova York depois de se acomodarem, na terça-feira, no nível mais baixo desde setembro de 2003. Os estoques provavelmente subiram em 2,75 milhões de barris na semana passada, segundo uma pesquisa Bloomberg divulgada antes do relatório da Administração de Informação de Energia, previsto para quinta-feira. A Shell, maior empresa de petróleo europeia, estima uma queda de pelo menos 42 por cento no lucro do quarto trimestre.

"O sentimento é muito pessimista", disse Amrita Sen, analista-chefe de petróleo da consultoria Energy Aspects, em entrevista. "As reduções de oferta estão acontecendo. Será lento, não se trata de um reequilíbrio da noite para o dia. O mercado de futuros pode cair ainda mais justamente por se tratar de uma jogada muito macro".

O petróleo bruto caiu 26 por cento neste ano em meio à volatilidade dos mercados chineses e à especulação de que a eliminação das restrições que limitavam as vendas de petróleo do Irã vai ajudar a prolongar um excesso de oferta mundial. A Shell, que está comprando o BG Group no maior negócio do setor em uma década, disse em um comunicado preliminar que seu lucro provavelmente encolheu para algo entre US$ 1,6 bilhão e US$ 1,9 bilhão, contra US$ 3,3 bilhões no ano anterior.

O West Texas Intermediate para entrega em fevereiro, que expira na quarta-feira, caiu até US$ 1,14, para US$ 27,32 o barril, na New York Mercantile Exchange, e estava em US$ 27,77 às 9h49 pelo horário de Londres. As transações de segunda-feira foram contabilizadas na terça por causa do feriado de Martin Luther King Jr. O contrato mais ativo para março caiu 86 centavos, para US$ 28,71.

Oferta de petróleo

O Brent para liquidação em março perdeu até 65 centavos, para US$ 28,11 o barril, na bolsa ICE Futures Europe, em Londres. O contrato subiu 21 centavos, para US$ 28,76, na terça- feira. O petróleo bruto usado como referência na Europa era negociado com um desconto de 76 centavos em relação ao WTI para março.

Os estoques de petróleo bruto dos EUA estavam cerca de 100 milhões de barris acima da média sazonal de cinco anos no fim de 2015, segundo dados da Administração de Informação de Energia. A oferta em Cushing, Oklahoma, ponto de entrega do WTI e maior polo de armazenagem de petróleo dos EUA, aumentou pela 10ª semana em 8 de janeiro, para um recorde de 64 milhões de barris.

Os mercados poderiam "se afogar no excesso de oferta", derrubando ainda mais os preços em meio à desaceleração do crescimento da demanda e do aumento das exportações do Irã, segundo a Agência Internacional de Energia, AIE.

A AIE reduziu as estimativas para a demanda global por petróleo em 2016 com o enfraquecimento da expansão econômica da China e aumentou as projeções para a oferta de fora da Opep. Embora a oferta de fora da Opep provavelmente caia em 600.000 barris por dia em 2016, o retorno do Irã poderia preencher essa lacuna no meio do ano. Como resultado, os mercados internacionais poderão ficar com um excedente de 1,5 milhão de barris por dia no primeiro semestre, disse a AIE.

Os preços poderão cair ainda mais com o fim das sanções das potências mundiais ao Irã e com a aceleração da produção da República Islâmica, disse o presidente do conselho do UBS, Axel Weber, em entrevista. "Eu não vejo um piso para os preços do petróleo -- e uma nova subida -- tão cedo", disse Weber a Francine Lacqua e Hans Nichols, da Bloomberg TV, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça.

Título em inglês: Oil Extends Drop From 12-Year Low as U.S. Supplies Seen Rising

Para entrar em contato com os repórteres: Ben Sharples em Hong Kong, bsharples@bloomberg.net; Grant Smith em Londres, gsmith52@bloomberg.net Para entrar em contato com os editores responsáveis: Telma Marotto, tmarotto1@bloomberg.net Patricia Xavier

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